Papéis da fabricante do Wegovy recuam enquanto investidores avaliam a concorrência, o vencimento de patentes da semaglutida e os planos de crescimento da companhia.
As ações da Novo Nordisk recuaram nesta segunda-feira (21), em meio a questionamentos de analistas sobre a capacidade da farmacêutica de manter preços elevados para seus medicamentos e sobre sua estratégia de fusões e aquisições.
Por volta das 8h50, pelo horário de Brasília, os papéis da companhia caíam mais de 4%. Às 11h24 GMT, a queda era de 4,7%.
A pressão ocorre enquanto a empresa se prepara para o vencimento das patentes da semaglutida, princípio ativo utilizado no Wegovy, para tratamento da obesidade, e no Ozempic, para diabetes, no início da próxima década.
Durante um evento com investidores em Londres, o CEO da companhia, Mike Doustdar, afirmou que a Novo pretende lançar mais de cinco medicamentos de grande sucesso até 2030.
A empresa também projeta gerar mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas, cerca de US$ 23 bilhões, em vendas provenientes de seu pipeline até 2035.
A companhia apresentou ainda um cronograma para novos tratamentos contra a obesidade, incluindo o CagriSema, o cagrilintide e o zenagamtide.
A Novo Nordisk enfrenta uma disputa crescente no mercado de medicamentos para obesidade, especialmente com a norte-americana Eli Lilly.
Segundo dados da LSEG citados pela Reuters, o Zepbound, medicamento concorrente da Lilly, deve superar as vendas do Wegovy em mais de US$ 7 bilhões neste ano.
A competição aumenta a pressão sobre a Novo para manter participação de mercado e desenvolver novos produtos antes do vencimento das patentes da semaglutida.
Executivos da Novo afirmaram que o balanço da companhia permite realizar aquisições de maior porte, além de negócios menores para complementar o portfólio.
A estratégia de fusões e aquisições passa a ser acompanhada de perto pelos investidores diante da necessidade de reforçar o pipeline de medicamentos da empresa.
A farmacêutica também avançou em seu programa de redução de custos iniciado no ano passado.
Segundo a companhia, o número total de demissões chegou a 13 mil, após 9 mil cortes inicialmente anunciados e outros 4 mil desligamentos posteriormente.
A Novo também pretende ampliar sua atuação no segmento de medicamentos orais para obesidade.
A companhia informou que pretende aumentar sua capacidade de produção em dez vezes e alcançar mais de 60 milhões de pacientes globalmente até 2030.
Segundo o CEO, o Wegovy em comprimidos já alcançou cerca de 7 milhões de prescrições nos Estados Unidos, sendo aproximadamente 90% das vendas realizadas por meio de pagamentos diretos.
A companhia também pretende ter pelo menos cinco medicamentos orais em testes clínicos até o fim deste ano.
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