Dados da IATA mostram que o Brasil foi o único grande mercado com crescimento no tráfego aéreo doméstico em junho, enquanto a demanda global apresentou retração.
O Brasil foi o único grande mercado de aviação a registrar crescimento no tráfego aéreo doméstico em junho de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Enquanto a demanda global apresentou retração, o mercado brasileiro registrou avanço de 0,9% na métrica de passageiros por quilômetro transportado (RPK) em comparação com o mesmo mês do ano passado.
O desempenho coloca o país na contramão da tendência observada nas principais economias, que enfrentaram queda na movimentação de passageiros.
De acordo com a IATA, a demanda global por transporte aéreo caiu 1,7% em junho na comparação anual. O segmento internacional recuou 0,9%, enquanto o mercado doméstico registrou queda ainda maior, de 3%.
Entre os principais mercados analisados, apenas o Brasil apresentou crescimento. A Austrália ficou estável, enquanto países como China e Japão registraram as maiores retrações, de 5,2% e 3,8%, respectivamente.
Segundo a entidade, os elevados custos dos combustíveis contribuíram para a redução da demanda em diversos mercados.
Apesar do crescimento no número de passageiros transportados, a oferta de assentos pelas companhias aéreas brasileiras aumentou em ritmo superior.
A capacidade operacional avançou 4% no período, reduzindo a taxa média de ocupação das aeronaves em 2,5 pontos percentuais, para 80,2%.
Os números da IATA diferem dos dados divulgados anteriormente pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que apontaram queda de 1,2% no tráfego doméstico brasileiro em junho.
No cenário internacional, o Oriente Médio continuou apresentando forte retração no transporte aéreo, com queda de 13,9% na demanda em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar do resultado negativo, a contração foi menor que a observada em maio, quando o recuo chegou a 28,8%.
Segundo a IATA, a melhora foi favorecida pelo cessar-fogo no conflito envolvendo o Irã, que permitiu a flexibilização parcial das restrições de voo e contribuiu para uma recuperação gradual da demanda.
As companhias aéreas da Ásia-Pacífico registraram queda de 2% no tráfego de passageiros pelo segundo mês consecutivo.
O desempenho foi influenciado principalmente pela desaceleração da demanda na China e na Índia, além da redução da capacidade em rotas internacionais de curta distância devido ao aumento dos custos operacionais.
Na América do Norte, o tráfego caiu 1,1%, refletindo a fraqueza do mercado doméstico dos Estados Unidos e um ambiente mais cauteloso na gestão da capacidade pelas empresas do setor.
As transportadoras europeias registraram crescimento de 0,8% na movimentação de passageiros, impulsionado principalmente pela expansão das viagens internacionais. A região também apresentou a maior taxa de ocupação do mundo em junho, alcançando 87,5%.
Na América Latina e Caribe, o tráfego avançou 1,5%, sustentado pelo aumento de 3,5% na demanda internacional. Entretanto, o crescimento mais acelerado da capacidade reduziu o índice médio de ocupação para 81,2%.
As companhias aéreas africanas registraram o maior avanço entre todas as regiões monitoradas pela IATA, com crescimento de 3,8% no tráfego de passageiros em junho.
Mesmo com a expansão da demanda, a capacidade cresceu em ritmo superior, reduzindo levemente o fator de ocupação das aeronaves.
A IATA representa mais de 370 companhias aéreas em todo o mundo, responsáveis por aproximadamente 85% do tráfego aéreo global, sendo uma das principais referências para o acompanhamento da evolução do setor de aviação comercial.
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