Credores cobram uma definição da Petrobras sobre possível aporte enquanto Braskem tenta evitar recuperação judicial e avançar em uma reestruturação financeira.
Os credores da Braskem estão pressionando a Petrobras por uma definição sobre um possível aporte financeiro na petroquímica antes do prazo de 24 de agosto, data considerada importante para evitar o avanço de um processo de recuperação judicial.
Os títulos da companhia com vencimento em 2030 são negociados com um spread próximo de 1.900 pontos-base em relação aos títulos equivalentes do Tesouro dos Estados Unidos, sinalizando o elevado nível de estresse financeiro percebido pelo mercado.
A Petrobras possui 36,15% do capital total da Braskem e 47,03% dos direitos de voto, o que coloca a estatal no centro das discussões sobre o futuro financeiro da companhia.
Credores avaliam diferentes alternativas, incluindo aporte de capital, recursos para capital de giro ou uma eventual dívida subordinada.
A principal preocupação da Petrobras seria o impacto contábil de uma ampliação de sua participação na Braskem. Um aumento relevante da fatia poderia levar à consolidação da dívida da petroquímica no balanço da estatal.
A dívida da Braskem é estimada em aproximadamente R$ 50 bilhões.
Um grupo de detentores de títulos, que inclui a Elliott Investment Management e a Contrarian Capital Management, cobra um compromisso financeiro mais firme da Petrobras.
Parte dos credores entende que a Braskem precisa de recursos novos para garantir sua sustentabilidade financeira.
A companhia, por outro lado, rejeitou uma proposta de empréstimo de US$ 700 milhões apresentada por bancos credores durante as negociações.
A estratégia da empresa envolve principalmente o alongamento de vencimentos e a expectativa de recuperação do ciclo petroquímico.
As negociações avançaram nos últimos dias após credores internacionais apresentarem uma nova contraproposta de recuperação extrajudicial.
A proposta teria sido recebida de maneira mais favorável pela Braskem e dependeria de ajustes pontuais.
Para que o acordo seja homologado pela Justiça e tenha caráter vinculante, a companhia precisa obter o apoio de credores que representem pelo menos um terço da dívida total.
A Braskem afirmou que mantém o compromisso com uma solução consensual e ordenada para sua reestruturação financeira.
O cenário financeiro da empresa também foi agravado pela decisão da Moody's, que rebaixou a classificação de crédito da Braskem para Ca em 5 de agosto.
A agência considerou como inadimplência a suspensão judicial de cobranças obtida pela companhia durante as negociações com os credores.
A perspectiva da classificação permanece negativa.
Nos Estados Unidos, os ADRs da Braskem chegaram a uma mínima de 52 semanas de US$ 2,20 em 6 de agosto.
Outro evento relevante ocorrerá nesta quarta-feira (12), quando a Braskem divulgará os resultados do segundo trimestre de 2026.
Será o primeiro balanço divulgado sob a nova gestão da IG4 Capital, que assumiu o controle operacional da companhia após adquirir a participação da Novonor em junho.
Os resultados deverão servir como referência para credores e investidores avaliarem a capacidade operacional da empresa de sustentar uma eventual reestruturação.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou recentemente que a estatal passou a ter maior influência na Braskem após um novo acordo de acionistas e que está avaliando a situação da companhia.
O envolvimento da Petrobras adiciona uma dimensão estratégica e política às negociações, especialmente diante da relevância da Braskem para o setor petroquímico brasileiro.
O mercado trabalha atualmente com dois caminhos principais.
Acordo extrajudicial: caso a Braskem consiga chegar a um entendimento com os credores antes do prazo, a empresa poderá avançar na reestruturação sem entrar em recuperação judicial. Nesse cenário, os títulos poderiam reagir positivamente à redução da percepção de risco.
Recuperação judicial: caso as negociações fracassem, a recuperação judicial continuará como alternativa, aumentando a incerteza sobre o futuro da companhia e pressionando ainda mais os ativos da Braskem.
Se um acordo extrajudicial for firmado, a legislação prevê ainda um período adicional de 90 dias para a conclusão dos termos da reestruturação após o protocolo do pedido.
Com o prazo de 24 de agosto se aproximando, a definição sobre a participação da Petrobras e a capacidade da Braskem de obter apoio dos credores serão determinantes para o futuro financeiro da companhia.
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