Programa permite renegociar até R$ 15 mil em dívidas de trabalhadores informais, com juros de até 1,99% ao mês.
O Desenrola Adimplentes começa a sair do papel nesta segunda-feira (10), pouco mais de um mês após seu lançamento. O programa foi criado para permitir a renegociação de dívidas de trabalhadores informais que continuam pagando seus empréstimos, mas enfrentam taxas elevadas no crédito pessoal.
Para aumentar a participação das instituições financeiras, o governo promoveu mudanças nas regras do programa após solicitações da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
A expectativa agora é ampliar a adesão, inclusive entre bancos privados que inicialmente demonstraram pouco interesse na iniciativa.
O programa permite renegociar até R$ 15 mil em dívidas sem garantia contratadas no crédito pessoal por trabalhadores informais.
As operações poderão ter juros de até 1,99% ao mês, abaixo da taxa média de aproximadamente 7% atualmente observada nesse tipo de operação.
Para participar, o cliente precisa atender a alguns critérios. Entre eles, ter pelo menos quatro parcelas já quitadas e manter os pagamentos em dia ou apresentar atraso inferior a 90 dias.
A iniciativa é voltada a trabalhadores que não possuem vínculo formal de emprego.
Segundo o governo, esse grupo permanecia com menos alternativas de crédito com juros reduzidos. Trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos e idosos, por exemplo, possuem acesso a determinadas modalidades de crédito consignado.
Já consumidores com atrasos superiores a 90 dias haviam sido contemplados por outras iniciativas de renegociação.
O início do programa ocorreu mais de um mês depois do lançamento devido a entraves relacionados à regulamentação do Fundo de Garantia de Operações (FGO).
O período também foi marcado pelo lançamento de diferentes programas de crédito pelo governo, aumentando a complexidade operacional para a implementação das iniciativas.
Outro ponto de dificuldade estava nas regras originalmente estabelecidas para a participação dos bancos.
Caixa e Banco do Brasil, que atuariam como agentes financeiros, demonstraram preocupação com o modelo inicial de utilização dos recursos.
Uma das principais alterações ocorreu na possibilidade de utilização dos recursos disponibilizados pela União.
O governo colocou até R$ 3 bilhões em recursos para financiar as renegociações. Com a mudança, as instituições participantes poderão combinar esses recursos com capital próprio.
Na regra anterior, a utilização de recursos próprios estava restrita à Caixa e ao Banco do Brasil.
Com o novo desenho, os dois bancos públicos poderão atuar como repassadores dos recursos da União para outras instituições financeiras e também realizar operações utilizando recursos próprios.
Segundo a justificativa apresentada pelo governo, a mudança busca criar incentivos para a participação dos bancos e melhorar a eficiência na utilização dos recursos públicos.
Com as novas regras, a expectativa é que Banco do Brasil e Caixa iniciem a oferta da linha de crédito.
O Banco do Brasil informou que mantém diálogo com o Ministério da Fazenda para a operacionalização do programa. A Caixa não se manifestou sobre o assunto.
O governo também espera ampliar a participação de bancos privados.
No lançamento do programa, algumas instituições demonstraram resistência devido ao perfil dos consumidores elegíveis. Como o público-alvo é formado por pessoas que continuam pagando suas dívidas, havia dúvidas sobre o interesse dos bancos em oferecer uma renegociação com juros menores.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também mudou sua avaliação sobre a iniciativa.
Inicialmente, a entidade havia indicado que a adesão poderia ser mais limitada do que na versão do programa destinada a consumidores inadimplentes.
Agora, a federação afirma que o desenho final apresentou evolução e trouxe maior previsibilidade para as instituições financeiras.
Entre os pontos destacados estão o detalhamento dos critérios de elegibilidade, custos, mecanismos de garantia e condições operacionais.
Apesar da mudança de avaliação, a decisão de participar do programa continuará sendo individual de cada instituição financeira.
O principal objetivo do Desenrola Adimplentes é permitir que trabalhadores informais com histórico recente de pagamentos tenham acesso a uma renegociação com taxas inferiores às praticadas normalmente no crédito pessoal.
Com juros máximos de 1,99% ao mês, o programa busca reduzir o custo financeiro das operações e facilitar a reorganização das dívidas.
A adesão dos bancos, entretanto, será determinante para definir o alcance da iniciativa. O governo aposta nas novas regras para tornar o programa mais atrativo às instituições financeiras e ampliar o número de consumidores atendidos.
Deixe um Comentário