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28/09/2026

Krinsky, do BTIG, vê risco/retorno desfavorável para ações americanas antes do CPI

Agosto 11, 2026
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BTIG alerta para uma assimetria de risco nas ações dos EUA antes da divulgação do CPI, destacando que os títulos do Tesouro podem oferecer melhor proteção em diferentes cenários de inflação.

As ações americanas apresentam uma relação de risco e retorno considerada desfavorável pelo BTIG às vésperas da divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, o CPI, prevista para quarta-feira (12).

Em relatório divulgado nesta terça-feira (11), a instituição destacou que as bolsas subiram nas últimas semanas mesmo diante da alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

Para Jonathan Krinsky, estrategista do BTIG, esse movimento criou uma assimetria entre ações e renda fixa, deixando o mercado acionário mais exposto a uma eventual surpresa negativa nos dados de inflação.

Bolsas subiram enquanto Treasuries perderam valor

Desde a última divulgação do CPI, em 14 de julho, os rendimentos dos Treasuries de 30 anos avançaram aproximadamente 13 pontos-base.

No mesmo período, as ações americanas acumularam alta de cerca de 3%.

Na avaliação do BTIG, o movimento sugere que o mercado de títulos já incorporou uma parcela maior das preocupações relacionadas à inflação, enquanto as ações permaneceram relativamente mais fortes.

Esse cenário pode aumentar a sensibilidade das bolsas a uma leitura do CPI acima das expectativas.

Inflação acima do esperado pode pressionar ações

Um CPI mais forte do que o previsto poderia elevar as preocupações em relação à trajetória dos juros nos Estados Unidos.

Nesse cenário, as ações poderiam sofrer pressão, principalmente porque os índices acionários avançaram mesmo com a deterioração recente do mercado de Treasuries.

O BTIG observa que os mercados atualmente precificam aproximadamente 51% de probabilidade de uma alta dos juros pelo Federal Reserve em setembro.

Uma inflação mais elevada poderia aumentar essa expectativa e reduzir os argumentos para uma flexibilização da política monetária.

E se a inflação vier abaixo das expectativas?

O cenário oposto também merece atenção.

Caso o CPI apresente uma leitura mais fraca do que o esperado, os títulos do Tesouro poderiam reagir de forma mais favorável, uma vez que uma inflação menor tende a aliviar as preocupações com a política monetária.

Para as ações, entretanto, o potencial de alta poderia ser mais limitado depois do desempenho positivo registrado no último mês.

É justamente essa diferença entre os possíveis movimentos que leva o BTIG a apontar uma relação risco/retorno menos favorável para o mercado acionário.

Sinais de complacência aumentam preocupação

Além da proximidade do CPI, o BTIG identificou indicadores que apontam para um nível elevado de confiança entre investidores.

O S&P 500 com pesos iguais avançou cerca de 3% desde a última divulgação do CPI e se aproxima da parte superior de seu canal de tendência.

Outro indicador citado pela instituição é uma cesta de ações de momentum vendidas a descoberto, que está cerca de 32% acima de sua média móvel de 200 dias.

Segundo o BTIG, esse é o nível mais elevado observado em mais de uma década, desconsiderando o período imediatamente posterior à pandemia de Covid-19.

Relação put/call também indica menor proteção

A relação put/call composta do CBOE, considerando sua média móvel de cinco dias, caiu para aproximadamente 0,81.

O indicador está entre os níveis mais baixos observados nos últimos anos, o que sugere menor demanda relativa por proteção contra quedas.

Para o BTIG, a combinação entre valorização das bolsas, baixa procura por proteção e proximidade do CPI aumenta a importância do dado de inflação para o comportamento dos mercados.

Energia pode ganhar força, mas volatilidade continua

O setor de energia também entrou no radar do BTIG.

Segundo a instituição, as ações do segmento podem estar próximas de um rompimento depois de aproximadamente quatro meses de consolidação.

Apesar disso, o banco alerta que o setor continua vulnerável à volatilidade provocada por novas informações e manchetes, especialmente em um ambiente de oscilações nos preços das commodities.

Mercado aguarda novo sinal sobre os juros

A divulgação do CPI será acompanhada de perto porque pode influenciar as expectativas para as próximas decisões do Federal Reserve.

Com os mercados já precificando uma possibilidade relevante de mudança nos juros em setembro, uma surpresa significativa na inflação pode provocar ajustes nos preços de ações e títulos.

Para o BTIG, o cenário atual exige atenção justamente porque as bolsas chegaram ao dado de inflação com desempenho positivo, enquanto os Treasuries já demonstraram maior preocupação com a trajetória dos preços.

No pregão desta terça-feira, o Nasdaq 100 recuava cerca de 0,52%, o S&P 500 caía 0,38% e o Dow Jones apresentava baixa de aproximadamente 0,27%.

O foco dos investidores agora se volta para o CPI de quarta-feira, que poderá fornecer novos sinais sobre o caminho da política monetária americana nos próximos meses.

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