Carregando cotações…
Registre-se

28/09/2026

Banco Central vê política monetária restritiva pesando sobre a economia

Agosto 11, 2026
4Minuto lidos
1,4 mi Visualizações

Ata do Copom aponta desaceleração da atividade econômica, mas BC mantém cautela diante das pressões de demanda e deixa próximos passos da Selic em aberto.

O Banco Central avalia que a política monetária restritiva começa a produzir efeitos mais claros sobre a atividade econômica brasileira, mas ainda considera necessário manter os juros em níveis elevados diante das pressões de demanda sobre a inflação.

A avaliação consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (11), após o colegiado realizar o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, levando os juros básicos para 14% ao ano.

Apesar da percepção de melhora no cenário de inflação e crescimento, o Copom optou por não oferecer uma orientação sobre os próximos passos da política monetária.

Atividade econômica começa a desacelerar

Segundo o Banco Central, os dados mais recentes apontam para uma desaceleração da atividade econômica na transição do primeiro para o segundo trimestre.

O movimento foi observado tanto pelo lado da oferta quanto pelo lado da demanda, indicando uma perda mais disseminada de ritmo da economia.

Para o BC, esse processo de arrefecimento é necessário para reduzir as pressões inflacionárias e permitir que a inflação retorne à meta de 3%.

A avaliação reforça o efeito esperado da política monetária: juros elevados reduzem a demanda, encarecem o crédito e tendem a diminuir o ritmo de consumo e investimento.

Selic permanece em 14% ao ano

Na última reunião, o Copom promoveu o quarto corte consecutivo de 25 pontos-base, levando a Selic para 14% ao ano.

Mesmo após a redução, a autoridade monetária destacou que a política continua em território contracionista.

O comitê afirmou que continuará avaliando os novos dados econômicos antes de definir os próximos passos.

A ausência de uma indicação clara sobre a próxima reunião mantém o mercado dependente dos indicadores de inflação, atividade e expectativas para projetar a trajetória dos juros.

Pressões de demanda continuam no radar

Embora reconheça a desaceleração da economia, o Banco Central ainda identifica pressões inflacionárias relacionadas à demanda.

Esse fator é considerado relevante para a condução da política monetária porque uma economia aquecida pode dificultar a convergência da inflação para a meta.

Por isso, o Copom sinalizou que pretende manter uma política suficientemente restritiva pelo tempo necessário para garantir a convergência da inflação.

A combinação entre desaceleração da atividade e inflação ainda pressionada coloca o Banco Central diante de um cenário de equilíbrio entre reduzir os juros e evitar uma flexibilização excessivamente rápida.

BC alerta para efeitos secundários de choques de oferta

Outro ponto destacado na ata foi a necessidade de acompanhar os chamados efeitos secundários dos choques de oferta.

Fatores como alterações nos preços de commodities e eventos climáticos podem provocar aumentos pontuais de preços.

O Banco Central não necessariamente pretende reagir aos efeitos primários desses choques. A preocupação está na possibilidade de eles se espalharem para outros setores da economia e provocarem efeitos persistentes sobre a inflação.

Caso esses efeitos se materializem, a autoridade monetária afirmou que poderá agir de maneira decisiva.

Conflitos internacionais continuam no radar

A nova ata também simplificou algumas referências anteriores aos impactos inflacionários relacionados ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Ainda assim, o ambiente geopolítico permanece relevante para a formação dos preços de commodities, especialmente do petróleo.

Mudanças expressivas nos preços internacionais de energia podem afetar a inflação brasileira por meio dos combustíveis, transporte e custos de produção.

Por isso, o comportamento das commodities e os possíveis efeitos sobre as expectativas de inflação continuam entre os fatores acompanhados pelo Copom.

Próximos passos seguem em aberto

A mensagem do Banco Central combina sinais de desaceleração econômica com a necessidade de cautela na condução dos juros.

De um lado, a política monetária restritiva começa a pesar sobre a atividade. De outro, as pressões de demanda e os riscos de novos choques de oferta ainda dificultam uma flexibilização mais rápida.

Ao não oferecer orientação sobre os próximos passos, o Copom reforça que as futuras decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos.

Para o mercado, os principais pontos de atenção serão a trajetória do IPCA, as expectativas de inflação, o ritmo da atividade econômica, o mercado de trabalho e o comportamento das commodities.

Enquanto esses fatores não apresentarem uma melhora consistente, a tendência é de manutenção de uma postura cautelosa por parte do Banco Central.

Deixe um Comentário
Invista com quem entende do mercado Estratégia de investimentos sob medida para os seus objetivos. Fale com um assessor ›
Invista com quem entende do mercado Estratégia de investimentos sob medida para os seus objetivos. Fale com um assessor ›
Invista com quem entende do mercado Estratégia de investimentos sob medida para os seus objetivos. Fale com um assessor ›
Invista com quem entende do mercado Estratégia de investimentos sob medida para os seus objetivos. Fale com um assessor ›