Avanço do petróleo, após o impasse nas negociações entre EUA e Irã, aumenta as preocupações com inflação, juros e contas externas da Índia.
Os títulos do governo indiano recuaram nesta terça-feira (11), pressionados pela alta dos preços do petróleo e pelo aumento das preocupações com a inflação.
O movimento ocorreu depois que o petróleo Brent chegou brevemente a US$ 90 por barril, em meio ao enfraquecimento das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
A Índia está particularmente exposta à alta do petróleo por ser uma das maiores importadoras mundiais da commodity. O aumento dos preços pode pressionar a inflação, a conta corrente, as contas públicas e a moeda indiana.
O rendimento do título de referência da Índia, com taxa de 6,94% e vencimento em 2036, avançou 1,5 ponto-base, para 6,7791%.
A alta representou o maior avanço diário do rendimento em mais de uma semana.
Como os preços dos títulos e seus rendimentos se movimentam em direções opostas, a elevação das taxas indica uma deterioração no desempenho dos papéis no mercado secundário.
O movimento reflete a preocupação dos investidores com o possível impacto de um petróleo mais caro sobre a inflação e, consequentemente, sobre a condução da política monetária indiana.
O Brent ampliou o avanço de aproximadamente 5% registrado na segunda-feira, após Washington apresentar novas exigências em resposta à proposta de paz apresentada por Teerã.
Posteriormente, o petróleo reduziu parte dos ganhos e era negociado próximo de US$ 87,70 por barril.
A evolução da commodity continua diretamente relacionada às expectativas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e aos riscos para o fornecimento global de energia.
Para a Índia, um petróleo mais caro representa um desafio adicional porque aumenta os custos de importação e pode pressionar a inflação doméstica.
Os investidores agora aguardam os dados de inflação de julho para avaliar os próximos passos do Banco de Reserva da Índia (RBI).
A expectativa do mercado é de que a inflação ao consumidor tenha acelerado para 4,50% em julho, ante 4,38% em junho.
O resultado será importante para determinar se o banco central terá espaço para manter uma política monetária mais flexível ou se precisará adotar uma postura mais cautelosa diante das pressões de preços.
O aumento do petróleo também representa um risco para a rúpia indiana.
Uma conta de importação de energia mais elevada pode aumentar a demanda por moeda estrangeira e pressionar o câmbio.
O dólar era negociado próximo de 95,363 rúpias, com alta de 0,07%.
A combinação de petróleo mais caro e uma moeda mais fraca pode aumentar ainda mais a pressão inflacionária, criando um cenário mais desafiador para o banco central.
Além dos indicadores indianos, os investidores acompanham os dados de inflação dos Estados Unidos, que também serão divulgados nesta quarta-feira.
A preocupação com uma inflação mais persistente nos EUA aumentou as apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros em setembro.
A probabilidade implícita de uma alta de juros passou de 44% para 51%, segundo as expectativas acompanhadas pelo mercado.
Uma política monetária americana mais restritiva pode aumentar a pressão sobre moedas e títulos de mercados emergentes, incluindo a Índia.
O mercado indiano passa a acompanhar simultaneamente três fatores principais: petróleo, inflação e política monetária.
Uma alta prolongada do petróleo pode elevar os preços internos e pressionar as contas externas. Caso a inflação permaneça elevada, o Banco de Reserva da Índia poderá ter menos espaço para reduzir os juros.
Ao mesmo tempo, uma eventual alta dos juros nos Estados Unidos poderia aumentar a saída de capital de mercados emergentes e pressionar ainda mais a rúpia.
Por isso, os próximos dados de inflação e os desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã serão fundamentais para determinar a direção dos títulos indianos e da moeda nas próximas sessões.
O mercado permanece atento ao petróleo como um dos principais canais de transmissão dos riscos geopolíticos para a economia global.
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