Documentos regulatórios nos EUA revelam que o family office dos Moreira Salles possui mais de US$ 100 milhões em ações da SpaceX, em meio à entrada de grandes fortunas globais na companhia.
O family office ligado à família Moreira Salles, uma das dinastias empresariais mais conhecidas do Brasil, revelou uma participação superior a US$ 100 milhões, cerca de R$ 520 milhões, na SpaceX, empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial fundada por Elon Musk.
A informação aparece em documentos regulatórios apresentados nos Estados Unidos e analisados pela Bloomberg. Os registros mostram que grandes gestores de patrimônio de famílias ultrarricas ampliaram a exposição à companhia durante o primeiro semestre de 2026.
Ao todo, mais de uma dezena de family offices declarou posições na SpaceX, somando pelo menos US$ 3,8 bilhões.
Além dos Moreira Salles, a BlueCrest Capital, de Michael Platt, também declarou uma participação superior a US$ 100 milhões.
Já uma gestora ligada ao governante de Abu Dhabi, xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, informou uma posição próxima de US$ 65 milhões.
O movimento chama atenção porque alguns desses investidores também possuem participação na Tesla, outra companhia associada a Elon Musk.
Os documentos representam uma das primeiras oportunidades para o mercado conhecer as posições em SpaceX de alguns dos maiores family offices do mundo.
A SpaceX começou a ser negociada em bolsa em 12 de junho de 2026, após anos como uma das empresas privadas mais disputadas do mercado.
A oferta pública inicial contou com uma demanda muito superior à quantidade de ações disponibilizadas. Segundo os dados citados pela Bloomberg, os pedidos superaram em mais de quatro vezes a oferta.
A operação movimentou US$ 75 bilhões, tornando-se a maior abertura de capital da história.
O IPO superou com ampla margem a oferta de aproximadamente US$ 29,4 bilhões da Saudi Aramco, realizada quase uma década antes.
Os family offices são estruturas dedicadas à administração do patrimônio de famílias muito ricas. Diferentemente de grandes fundos tradicionais, essas estruturas podem ter maior flexibilidade para realizar investimentos de longo prazo.
A combinação de capital elevado, menor pressão por liquidez e capacidade de assumir posições estratégicas faz com que esses investidores tenham acesso a operações disputadas.
A participação dos Moreira Salles na SpaceX mostra justamente esse movimento: grandes fortunas privadas buscando exposição a empresas consideradas estratégicas para setores como tecnologia, inteligência artificial, satélites e exploração espacial.
Os documentos 13F referentes ao segundo trimestre também revelaram mudanças relevantes entre grandes gestores.
A Duquesne Family Office, de Stanley Druckenmiller, aumentou sua exposição à Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC).
Já a Soros Fund Management, ligada a George Soros, reduziu sua posição na Amazon.
A Appaloosa, de David Tepper, revelou uma nova participação de aproximadamente US$ 200 milhões na Boeing, além de uma posição menor na SpaceX.
Nos Estados Unidos, gestores que administram mais de US$ 100 milhões em ações negociadas no país precisam apresentar o formulário 13F à Securities and Exchange Commission (SEC).
O documento deve ser entregue até 45 dias após o encerramento de cada trimestre e apresenta as posições mantidas em determinados ativos negociados nas bolsas americanas.
Por isso, os 13F são uma das principais ferramentas utilizadas pelo mercado para acompanhar os movimentos de grandes gestores e family offices.
A posição multimilionária dos Moreira Salles não significa, por si só, que a SpaceX seja uma oportunidade de compra para qualquer investidor.
Mas o movimento mostra o interesse de grandes patrimônios por uma empresa posicionada em setores considerados estratégicos para as próximas décadas.
A combinação de exploração espacial, infraestrutura de satélites, inteligência artificial e tecnologia coloca a SpaceX entre os ativos mais observados pelos investidores globais.
Para o mercado brasileiro, a revelação também chama atenção por mostrar que uma das famílias empresariais mais tradicionais do país está buscando exposição relevante a uma das empresas de tecnologia mais ambiciosas do mundo.
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