Carregando cotações…
Registre-se

28/09/2026

Natura (NATU3) supera expectativas no 2T26, mas fraqueza nas vendas mantém investidores em alerta

Agosto 11, 2026
6Minuto lidos
1,5 mi Visualizações

A Natura apresentou EBITDA de R$ 620 milhões no segundo trimestre, acima das projeções, e gerou R$ 360 milhões em caixa. Apesar da reação positiva das ações, analistas seguem cautelosos com a recuperação das vendas no Brasil.

As ações da Natura (NATU3) ganharam força no pregão desta terça-feira (11) após a companhia apresentar os resultados do segundo trimestre de 2026. O balanço foi recebido de forma positiva pelo mercado, principalmente porque alguns dos principais indicadores operacionais vieram acima das expectativas, mesmo diante de uma queda relevante nas receitas.

Por volta das 10h30, os papéis da companhia chegaram a registrar alta de 3,59%, negociados a R$ 8,37, após terem iniciado o pregão no campo negativo.

A reação dos investidores ocorre em um contexto no qual as expectativas para a Natura já haviam sido reduzidas depois de uma prévia de vendas considerada fraca. Nesse cenário, o desempenho operacional apresentado pela companhia acabou sendo melhor do que o mercado temia.

EBITDA de R$ 620 milhões chama atenção

O principal destaque positivo do trimestre foi o EBITDA consolidado, que alcançou R$ 620 milhões.

O resultado ficou 21% acima da estimativa do Bradesco BBI e superou em 14% o consenso dos analistas.

O desempenho chama atenção porque ocorreu mesmo com a retração da receita consolidada, que caiu 9% em relação ao segundo trimestre de 2025.

A explicação está principalmente no processo de redução de despesas realizado pela companhia e na capacidade de preservar parte das margens em meio ao cenário de vendas mais fracas.

Na avaliação do Bradesco BBI, a Natura conseguiu demonstrar maior resistência operacional, especialmente na proteção das margens e na geração de caixa.

Geração de caixa ajuda a melhorar percepção sobre o balanço

Além do EBITDA acima das projeções, a geração de caixa também apareceu como um ponto favorável.

A companhia gerou aproximadamente R$ 360 milhões em caixa no trimestre, considerando os efeitos relacionados à dívida líquida ajustada, financiamento de fornecedores e recompras de ações.

Para os investidores, o dado é relevante porque mostra que a empresa continua conseguindo transformar sua operação em geração de recursos, mesmo com a pressão sobre as vendas.

Esse desempenho também ajuda a reduzir parte das preocupações relacionadas à capacidade da companhia de manter sua estrutura financeira enquanto trabalha na recuperação operacional.

Receita no Brasil continua pressionando a Natura

O principal problema do balanço, entretanto, permanece concentrado no desempenho das vendas.

A operação brasileira da Natura registrou queda de 15% na receita na comparação anual, evidenciando que a recuperação do mercado doméstico ainda não ganhou força.

No consolidado, as vendas recuaram aproximadamente 8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A situação é particularmente relevante porque o Brasil continua sendo uma das principais operações da companhia. A dificuldade de recuperar o ritmo de vendas limita o potencial de crescimento da receita e mantém elevada a dependência da Natura em relação aos ganhos de eficiência.

A operação da Avon também permanece entre os pontos de atenção para os analistas.

Menor custo ajuda a compensar queda da receita

Se as vendas foram o principal ponto negativo, o controle das despesas apareceu como um dos grandes responsáveis pelo resultado acima das expectativas.

A Natura começou a capturar com maior intensidade os efeitos do processo de redução das despesas gerais e administrativas realizado anteriormente.

Como consequência, a margem EBITDA apresentou avanço de 40 pontos-base na comparação anual, mesmo diante da pressão sobre a receita e da menor margem bruta.

O movimento mostra uma mudança importante na dinâmica operacional da companhia: enquanto a recuperação das vendas ainda não aconteceu, a administração vem buscando melhorar a rentabilidade por meio de uma estrutura de custos mais enxuta.

Margem bruta sofre impacto do ICMS-ST

A margem bruta, por outro lado, apresentou queda de 70 pontos-base.

Segundo as avaliações dos analistas, parte dessa pressão veio de efeitos temporários relacionados ao ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços por Substituição Tributária).

O impacto contribuiu para limitar uma melhora ainda maior da rentabilidade no trimestre.

Ainda assim, o controle das despesas foi suficiente para permitir que a margem EBITDA apresentasse evolução na comparação anual.

Natura muda referência para projeção de margem em 2026

O desempenho do primeiro semestre também levou a companhia a revisar a forma como apresenta sua expectativa para a margem EBITDA de 2026.

Agora, a Natura trabalha com uma expansão em relação à margem EBITDA reportada de 10% registrada em 2025, em vez de utilizar como principal referência a margem ajustada de 14,1% do ano passado.

O JPMorgan estima que a margem EBITDA reportada da companhia possa alcançar aproximadamente 11% em 2026, enquanto a margem ajustada poderia chegar a 12,3%.

Na avaliação do banco, o desempenho operacional acima das estimativas e a geração de caixa ajudam a reduzir o impacto potencial da revisão das perspectivas sobre o lucro por ação.

Bancos divergem na avaliação do resultado

Embora a reação inicial das ações tenha sido positiva, os analistas não demonstraram uma visão totalmente otimista sobre o balanço.

O JPMorgan classificou os números como fracos, porém melhores do que o cenário que vinha sendo precificado pelo mercado. Para o banco, a resistência da rentabilidade e a geração de caixa foram os principais pontos positivos.

Já o Goldman Sachs destacou a queda das vendas e, principalmente, o desempenho da operação brasileira como os principais fatores negativos.

O Morgan Stanley também apontou a operação brasileira como uma das principais razões para o desempenho abaixo do ideal no trimestre.

A leitura conjunta das instituições indica que a Natura conseguiu entregar um resultado operacional mais resistente, mas ainda não apresentou sinais suficientemente fortes de retomada das receitas.

Próximo teste será a recuperação das vendas

Para a Natura, o segundo semestre será importante para determinar se o processo de redução de custos poderá ser acompanhado por uma recuperação efetiva das vendas.

O mercado deverá acompanhar principalmente a evolução da receita no Brasil, o desempenho da Avon, a manutenção das margens e a capacidade da companhia de continuar gerando caixa.

A situação cria um cenário de equilíbrio para as ações. De um lado, o resultado operacional e a geração de caixa ficaram melhores do que as projeções mais pessimistas. De outro, a queda das vendas mostra que os desafios estruturais ainda não foram totalmente resolvidos.

O que o balanço significa para NATU3?

A reação positiva de NATU3 sugere que parte das preocupações já estava incorporada aos preços antes da divulgação dos resultados.

Com o EBITDA acima das estimativas e uma geração de caixa considerada saudável, a Natura conseguiu entregar uma surpresa operacional positiva.

No entanto, a recuperação da receita continua sendo o principal fator que poderá determinar o desempenho das ações nos próximos meses.

Assim, o balanço do segundo trimestre pode ser interpretado como um resultado melhor do que o esperado em um cenário ainda desafiador, mas não como uma confirmação de que a retomada do crescimento já esteja consolidada.


Deixe um Comentário
Invista com quem entende do mercado Estratégia de investimentos sob medida para os seus objetivos. Fale com um assessor ›
Invista com quem entende do mercado Estratégia de investimentos sob medida para os seus objetivos. Fale com um assessor ›
Invista com quem entende do mercado Estratégia de investimentos sob medida para os seus objetivos. Fale com um assessor ›
Invista com quem entende do mercado Estratégia de investimentos sob medida para os seus objetivos. Fale com um assessor ›