CEO da Casas Bahia afirma que a recuperação judicial busca proteger o caixa, renegociar passivos e garantir a continuidade da operação diante da deterioração do cenário econômico e de crédito.
A Casas Bahia (BHIA3) afirma que o pedido de recuperação judicial apresentado no domingo (16) tem como principal objetivo preservar a operação da companhia e reorganizar seus passivos diante da deterioração do cenário econômico e financeiro.
Durante teleconferência realizada nesta segunda-feira (17), o CEO Renato Franklin afirmou que a recuperação judicial deve funcionar como um mecanismo de proteção para a empresa enquanto são renegociadas suas obrigações financeiras.
“A recuperação judicial é um instrumento para fortalecer a continuidade da operação”, afirmou o executivo.
Segundo Franklin, o objetivo é proteger o caixa e preservar as principais vantagens competitivas da companhia. Ele resumiu a estratégia dizendo que existe um “ajuste de rota, mas não ajuste de destino”.
Na avaliação da administração, a recuperação judicial cria condições para que a Casas Bahia negocie seus passivos de maneira mais organizada, preservando sua escala comercial e seus canais de venda.
A companhia espera utilizar sua relevância no mercado para negociar principalmente com grandes instituições financeiras.
O CEO também afirmou que a empresa trabalha com a expectativa de maior estabilidade nas vendas em relação ao passado, apoiada por uma estrutura comercial que atualmente possui mais canais de venda em funcionamento.
Franklin afirmou que a empresa não conseguiu executar integralmente o plano de recuperação que já estava em andamento diante de uma mudança significativa no ambiente macroeconômico.
Segundo o executivo, a partir de abril houve aumento das pressões provocadas pelo cenário internacional, com impactos sobre a inflação e a curva de juros.
O ambiente doméstico também ficou mais desafiador, incluindo turbulências relacionadas ao cenário eleitoral.
Para a Casas Bahia, o principal problema continua sendo a combinação de juros elevados, menor disponibilidade de crédito e maior endividamento das famílias.
O impacto é especialmente forte entre consumidores de menor renda, que possuem maior dependência do crédito para realizar compras de bens duráveis.
Um dos pontos de maior atenção na fala da administração foi a perspectiva para os próximos anos.
A companhia afirmou que não trabalha com uma melhora do cenário macroeconômico no curto prazo e elaborou seu planejamento considerando um 2027 potencialmente pior do que 2026.
Além disso, a Casas Bahia considera possível uma nova deterioração das condições de crédito.
Por isso, o plano foi estruturado para permitir que a companhia atravesse um ambiente econômico ainda mais adverso, mantendo aberta a possibilidade de novos ajustes caso sejam necessários.
O processo de redução da estrutura física também faz parte da estratégia.
Segundo o CEO, o fechamento de lojas realizado recentemente ocorreu em uma “onda única”, não havendo, neste momento, expectativa de um novo anúncio de fechamento em larga escala.
A companhia pretende concentrar suas operações nas unidades com maior potencial de rentabilidade.
A administração também detalhou o chamado Plano de Transformação Fase 2, que reúne medidas destinadas a melhorar a geração de caixa e tornar a operação mais sustentável.
Entre as principais iniciativas estão:
A estratégia representa uma continuidade do processo de transformação da empresa, mas com maior foco na preservação de caixa e redução da pressão financeira.
O pedido de recuperação judicial muda o foco dos investidores. A partir de agora, alguns dos principais pontos a serem acompanhados são:
1. Reestruturação da dívida: como os R$ 17,3 bilhões em passivos serão renegociados.
2. Geração de caixa: capacidade da operação de produzir caixa suficiente para manter as atividades.
3. Crédito: disponibilidade de financiamento para fornecedores e consumidores.
4. Estoques: qualidade, volume e necessidade de liquidações para geração de caixa.
5. Rentabilidade: evolução das margens após os ajustes operacionais.
6. Plano de recuperação: condições que serão apresentadas aos credores e sua execução.
7. Ambiente macroeconômico: especialmente juros, inflação, emprego e disponibilidade de crédito.
A mensagem da administração é que a recuperação judicial não representa uma mudança no objetivo estratégico da companhia, mas uma tentativa de criar condições financeiras para preservar a operação e executar uma nova etapa de reestruturação.
Deixe um Comentário