Saída de capital estrangeiro, cenário fiscal e incertezas eleitorais pressionam o Ibovespa, enquanto investidores aguardam o PPI dos EUA.
O Ibovespa inicia esta quinta-feira (13) sob pressão após uma forte deterioração do fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira. A saída de recursos, combinada às preocupações com o cenário fiscal e eleitoral, aumentou a cautela dos investidores e contribuiu para a recente sequência de quedas do principal índice acionário do país.
Na véspera, o Ibovespa recuou 2,5%, aos 167.874 pontos, atingindo o menor nível desde janeiro e registrando a sexta queda consecutiva. O movimento ocorreu em um dia marcado pelo vencimento de índice futuro e pelo exercício de opções, fatores que também contribuíram para a volatilidade.
Um dos principais sinais de alerta está no fluxo internacional. Somente na primeira semana de agosto, investidores estrangeiros retiraram aproximadamente R$ 5,55 bilhões da B3.
A movimentação representa uma mudança significativa em relação a julho, quando houve entrada de cerca de R$ 2,6 bilhões. No acumulado do primeiro semestre, os estrangeiros haviam colocado aproximadamente R$ 33,8 bilhões no mercado brasileiro.
A mudança de comportamento ocorre justamente em um momento de valorização das bolsas americanas, aumentando a competição por recursos entre os mercados emergentes e os ativos dos Estados Unidos.
O dólar comercial também ganhou força. Na quarta-feira, a moeda americana subiu 0,98%, encerrando o pregão a R$ 5,161.
Além do fluxo estrangeiro, investidores continuam monitorando as questões fiscais e políticas brasileiras. As incertezas relacionadas ao cenário eleitoral também aumentam a demanda por proteção cambial.
No mercado técnico, o dólar fechou próximo de R$ 5,18, região considerada importante para a definição do próximo movimento da moeda.
No mercado futuro, o Mini Ibovespa encerrou o último pregão próximo de 167.803 pontos.
A região dos 168 mil pontos passa a ser acompanhada de perto pelos traders. Uma perda consistente desse nível pode aumentar a pressão vendedora e abrir espaço para novas mínimas.
Por outro lado, uma recuperação da região de 168 mil pontos, acompanhada de melhora no fluxo comprador, poderia provocar um movimento de recuperação técnica.
O cenário, portanto, exige atenção principalmente nos primeiros movimentos do pregão, que podem apresentar elevada volatilidade.
O principal evento da agenda econômica desta quinta-feira acontece às 9h30, quando serão divulgados os dados do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos referentes a julho, juntamente com os pedidos semanais de seguro-desemprego.
O indicador será importante para as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Um PPI abaixo das expectativas pode reforçar a percepção de menor pressão inflacionária e favorecer apostas de uma política monetária mais branda nos Estados Unidos. Nesse cenário, ativos de risco e mercados emergentes podem encontrar algum alívio.
Já um resultado acima do esperado pode provocar o movimento contrário, com aumento dos rendimentos dos Treasuries e fortalecimento do dólar.
No exterior, os mercados acionários americanos apresentaram desempenho relativamente positivo. O Nasdaq 100 avançou 0,74%, enquanto o S&P 500 subiu 0,26%.
Os índices reagiram aos dados de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, que vieram dentro das expectativas e ajudaram a reduzir as preocupações com uma aceleração inflacionária capaz de pressionar o Federal Reserve.
Apesar disso, declarações de autoridades do Fed continuam sendo monitoradas. A presidente do Fed de Boston, Susan Collins, afirmou que poderia apoiar uma alta de juros em setembro caso a inflação continue pressionada pelo aumento dos custos de energia.
No mercado internacional de commodities, o petróleo permanece pressionado pela combinação entre os estoques americanos e as incertezas relacionadas ao conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
O Brent encerrou a sessão próximo de US$ 88,98, enquanto o WTI ficou em torno de US$ 83,27.
A situação no Estreito de Ormuz continua sendo acompanhada pelos investidores. A redução do tráfego de navios na região mantém o risco geopolítico elevado e pode provocar novas oscilações nos preços de energia.
Além do PPI americano, os investidores acompanham uma agenda carregada de indicadores.
No Brasil, às 9h, serão divulgadas as vendas no varejo referentes a junho. Nos Estados Unidos, além do PPI e dos pedidos de seguro-desemprego, o Tesouro realizará às 14h um leilão de títulos de 30 anos.
O Federal Reserve também divulgará seu balanço patrimonial às 17h30.
No exterior, estão previstos dados do PIB preliminar do Reino Unido, produção industrial britânica, novos empréstimos na China e produção industrial da zona do euro.
Com o Ibovespa próximo de uma região técnica importante e o fluxo estrangeiro mostrando forte reversão, o mercado brasileiro entra nesta quinta-feira em um ambiente de maior cautela.
Para os traders, a região dos 168 mil pontos no Mini Índice e o comportamento do dólar próximo de R$ 5,18 estarão entre os principais pontos de observação.
O PPI dos Estados Unidos, às 9h30, deve ser o principal catalisador da volatilidade durante a manhã. O resultado pode definir se o mercado encontrará espaço para uma recuperação técnica ou se a pressão vendedora observada nos últimos pregões ganhará força.
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