Teerã afirma que importante centro petrolífero está funcionando normalmente, enquanto novas hostilidades entre EUA e Irã elevam a tensão no mercado de petróleo.
O Irã rejeitou nesta segunda-feira (31) a afirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a Ilha de Kharg, um dos principais centros de exportação de petróleo iraniano, teria sido destruída por um ataque.
Trump publicou no domingo, em sua plataforma Truth Social, uma mensagem afirmando que a ilha havia sido “reduzida a estilhaços”, acompanhada por um vídeo com imagens de grandes explosões.
Segundo a Reuters, porém, não havia indícios de que Kharg tivesse sido atacada. A agência também identificou que o vídeo compartilhado por Trump provavelmente foi produzido artificialmente com tecnologia de inteligência artificial.
Hamid Bovard, diretor-executivo da estatal National Iranian Oil Co., classificou a publicação como “ridícula” e afirmou que a situação na Ilha de Kharg permanecia normal.
Segundo o executivo, as operações petrolíferas não foram interrompidas e trabalhadores continuavam atuando nas instalações, inclusive em reparos de danos anteriores e modernização da estrutura.
A importância estratégica da ilha é enorme. Antes da guerra iniciada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, Kharg concentrava cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã.
Um ataque efetivo contra a região poderia provocar forte impacto sobre o comércio internacional de energia e aumentar a pressão sobre a economia iraniana.
Apesar da negativa sobre Kharg, as hostilidades entre Washington e Teerã aumentaram novamente.
Uma autoridade dos Estados Unidos afirmou que forças norte-americanas atacaram, no domingo, dois lançadores iranianos na Ilha de Larak, localizada a aproximadamente 660 quilômetros a leste de Kharg.
Segundo os EUA, a ação ocorreu após forças da Guarda Revolucionária Islâmica serem observadas preparando-se para lançar foguetes e colocar minas marítimas no Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que realizou ações “limitadas e precisas” contra forças iranianas responsáveis pela colocação de minas, alegando que elas representavam uma ameaça iminente à navegação no estreito.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não busca uma guerra, mas responderá de maneira decisiva a qualquer agressão.
“Nunca ficaremos em silêncio diante de qualquer agressão”, declarou, segundo a mídia estatal iraniana.
Em retaliação aos ataques americanos, o Irã teria atacado duas bases dos Estados Unidos na Jordânia, de acordo com a mídia iraniana.
O Exército iraniano também afirmou ter atingido a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos. O governo dos Emirados, entretanto, negou a informação e classificou o relato como falso.
Posteriormente, o Ministério da Defesa dos Emirados informou que sua Força Aérea interceptou um drone procedente do Irã sobre suas águas territoriais.
A escalada militar voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo.
O WTI chegou a subir cerca de 3,8%, negociado próximo de US$ 86,58 por barril, diante dos riscos relacionados ao conflito e à segurança do Estreito de Ormuz.
A região é considerada estratégica para o mercado global de energia. Normalmente, cerca de um quinto dos embarques mundiais de petróleo e gás natural liquefeito passa pelo estreito.
Com o Estreito de Ormuz praticamente bloqueado desde o início da guerra, qualquer nova escalada envolvendo instalações petrolíferas ou rotas marítimas pode provocar forte volatilidade nos preços da energia.
O mercado agora acompanha principalmente a possibilidade de novos ataques, a situação do Estreito de Ormuz e os próximos movimentos de Estados Unidos e Irã.
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