Itaú BBA passa a recomendar compra das ações da XP Inc., elevando o preço-alvo de US$ 19 para US$ 22 até o fim de 2027, apoiado por menores custos, impostos e recuperação do mercado de capitais.
O Itaú BBA elevou a recomendação para as ações da XP Inc. (XPBR31) de market perform para outperform, indicando expectativa de desempenho acima da média do mercado. O banco também aumentou o preço-alvo dos papéis de US$ 19 para US$ 22, agora considerando o fim de 2027.
A revisão ocorreu após o banco elevar em 8% a estimativa de lucro da XP para 2026 e em 1% a projeção para 2027. Segundo o relatório, a melhora está principalmente relacionada a custos menores e a uma carga tributária mais favorável.
O BBA estima que o lucro por ação (EPS) da XP avance 11% em 2026, considerando também o impacto das recompras de ações. Já o lucro líquido deve crescer 7,7% neste ano e 7,4% em 2027.
Na avaliação do Itaú BBA, a XP também está bem posicionada para um eventual cenário de mudança na trajetória dos juros brasileiros.
Caso a curva de juros perca inclinação, empresas ligadas ao mercado de capitais podem ter seus múltiplos reavaliados positivamente. Para o banco, a XP oferece uma exposição mais direta a essa tese do que os bancos tradicionais.
A companhia é negociada atualmente a cerca de 8,3 vezes o lucro estimado para 2026 e 7,7 vezes para 2027, abaixo da média de 10,6 vezes registrada desde 2023.
O Itaú BBA manteve praticamente estável sua estimativa para a receita bruta da XP em 2026, em R$ 20,8 bilhões. Para 2027, a previsão foi reduzida em 2%, para R$ 23,5 bilhões.
A principal mudança ocorreu nas despesas. O banco reduziu em 2,5% sua estimativa de custos e em 1,4% a projeção para despesas gerais e administrativas.
Com isso, a previsão de lucro antes dos impostos aumentou 5%.
A projeção para o lucro líquido de 2026 subiu 8%, para R$ 5,6 bilhões, representando crescimento anual de 7,7%.
Outro fator positivo apontado pelo BBA é a recuperação de algumas atividades do mercado de capitais.
As emissões no mercado primário alcançaram R$ 78,9 bilhões em junho e R$ 67,9 bilhões em julho, enquanto as emissões de debêntures chegaram a R$ 33,1 bilhões em julho.
O banco também identificou recuperação nos fluxos de fundos de renda fixa investment grade. Depois de quatro meses de resgates líquidos, esses produtos registraram entrada de R$ 5 bilhões em julho e quase R$ 14 bilhões em agosto, até a data considerada no levantamento.
Embora o volume médio diário negociado na B3 tenha recuado para R$ 22,6 bilhões em julho, os dados de agosto mostram recuperação, com média próxima de R$ 30 bilhões.
Segundo o Itaú BBA, a XP captura aproximadamente 40% a 50% dos volumes negociados pelo investidor de varejo.
O banco estima que a recuperação dos negócios possa gerar aproximadamente R$ 200 milhões adicionais em receitas de ações e do segmento institucional no segundo semestre de 2026.
Além da valorização potencial das ações, o Itaú BBA considera na tese de investimento a distribuição de capital aos acionistas.
Para 2026, o banco estima que dividendos e recompras de ações equivalham a 11,4% do valor de mercado da XP. Para 2027, a projeção é de 8,4%.
Combinando essa distribuição com o crescimento estimado de 11% do lucro por ação, o BBA calcula um retorno total potencial próximo de 20% em 2026, sem considerar eventual expansão dos múltiplos.
Entre os principais catalisadores estão uma possível aceleração da participação do investidor de varejo durante o período eleitoral e um eventual achatamento da curva de juros.
Apesar do cenário favorável, o Itaú BBA ressalta que o momento e a intensidade desses movimentos ainda são incertos.
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