Petrobras, Allos, Axia Energia, Itaú, Vale e Copel lideram as carteiras de dividendos de setembro, com foco em geração de caixa e previsibilidade de proventos
A aproximação das eleições de 2026 começa a influenciar cada vez mais o comportamento dos investidores na Bolsa brasileira. Diante de um cenário de maior volatilidade política, as estratégias de dividendos para setembro priorizam empresas capazes de gerar caixa e remunerar os acionistas de maneira mais previsível.
O movimento ocorre mesmo após a recuperação recente do Ibovespa. Enquanto o principal índice da Bolsa ganhou força, o Índice de Dividendos (IDIV) encerrou agosto com queda de 1,65%, desempenho inferior ao do Ibovespa.
Nesse cenário, dez corretoras e casas de análise consultadas pelo InfoMoney selecionaram suas principais apostas para o mês. Seis ações aparecem em pelo menos cinco das dez carteiras analisadas.
| AçãoCódigoRecomendaçõesDividend Yield em 12 meses | |||
| Petrobras | PETR4 | 8 | 11,72% |
| Allos | ALOS3 | 7 | 13,06% |
| Axia Energia | AXIA3 | 7 | 4,20% |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 6 | 8,29% |
| Vale | VALE3 | 5 | 10,10% |
| Copel | CPLE3 | 5 | 9,49% |
A Petrobras (PETR4) é a ação mais presente nas carteiras de dividendos, com oito recomendações entre as dez casas consultadas.
A tese combina geração de caixa, produção elevada e capacidade de distribuição de proventos. O BTG Pactual estima dividend yield próximo de 9% para 2027, enquanto o Santander projeta aproximadamente 10% para 2026 e elevou sua recomendação para compra.
A companhia também apresentou forte resultado no segundo trimestre, quando registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, alta de 97% em relação ao mesmo período do ano anterior. No trimestre, foram aprovados R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.
A Allos (ALOS3) aparece em sete carteiras e é considerada uma das alternativas defensivas do setor de shopping centers.
A empresa possui 55 shoppings em seu portfólio, sendo 45 próprios. As casas de análise destacam a previsibilidade das receitas, níveis saudáveis de vacância e inadimplência e o potencial de aumento do retorno ao acionista.
O dividend yield projetado chega a aproximadamente 13%, enquanto a XP aumentou a participação da ação em sua carteira de 7,5% para 10%.
A Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, também aparece em sete carteiras.
A perspectiva de preços de energia mais elevados é apontada como um dos fatores positivos para a companhia. O BTG estima dividend yield médio de aproximadamente 10% entre 2027 e 2029.
Outro destaque é o programa de recompra de ações. Segundo o Andbank, uma nova recompra de R$ 3,7 bilhões elevou o programa anunciado em 2026 para R$ 7,7 bilhões.
O Itaú Unibanco (ITUB4) recebeu seis recomendações e aparece como uma das principais alternativas defensivas do setor bancário.
O banco apresentou lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, além de retorno sobre patrimônio de 24%.
O BTG mantém o Itaú como seu banco large cap preferido, enquanto a Ágora considera que a rentabilidade elevada e sustentável justifica o prêmio de valuation em relação aos concorrentes.
A Vale (VALE3) aparece em cinco das dez carteiras.
A expectativa das casas de análise é de retorno ao acionista entre 8% e 9% ao ano, considerando dividendos e recompras.
Além da exposição ao minério de ferro, a companhia busca ampliar sua participação no mercado de cobre, com uma meta de aproximadamente 700 mil toneladas anuais até 2035.
A perspectiva para o minério também melhorou. O Santander elevou sua projeção para 2026 de US$ 100 para US$ 105 por tonelada.
A Copel (CPLE3) completa o grupo das seis ações mais recomendadas.
A companhia paranaense é destacada pela combinação de geração, transmissão e distribuição de energia, baixa alavancagem e expectativa de distribuição relevante de proventos.
O Itaú BBA estima dividend yield próximo de 8% para o ano, enquanto o Santander aponta uma taxa interna de retorno real de 10,4%.
A nova política de dividendos também é considerada um dos principais pontos positivos da tese, por aumentar a previsibilidade da remuneração aos acionistas.
O ponto em comum entre as seis empresas é a capacidade de gerar caixa e remunerar o acionista, reduzindo a dependência de uma eventual alta da Bolsa provocada por mudanças nas expectativas políticas.
Com a disputa eleitoral ganhando espaço nas decisões dos investidores, empresas com balanços sólidos, geração de caixa e histórico de distribuição de proventos podem ganhar preferência entre investidores que buscam maior previsibilidade.
Ainda assim, dividend yield elevado não significa necessariamente menor risco. O desempenho das ações continuará sujeito a fatores como juros, preços de commodities, câmbio, regulação e mudanças no cenário político e econômico.
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