Boa Safra reverte prejuízo e registra lucro de R$ 2,7 milhões no segundo trimestre, com forte avanço do Ebitda e crescimento da receita.
A Boa Safra registrou lucro líquido de R$ 2,7 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 2,7 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.
A companhia apresentou forte melhora nos principais indicadores operacionais, com crescimento da receita e avanço expressivo das margens.
A receita operacional líquida aumentou 23%, para R$ 124,7 milhões, enquanto o Ebitda ajustado saltou 504%, passando de R$ 4,6 milhões para R$ 27,7 milhões.
Com isso, a margem Ebitda ajustada avançou de 4% para 22%.
O lucro bruto da Boa Safra também apresentou forte evolução no trimestre.
O indicador subiu 83%, para R$ 69,7 milhões, enquanto a margem bruta avançou de 38% para 56%.
Segundo a companhia, o desempenho foi beneficiado pela combinação de custos mais favoráveis e pelo aumento da participação de negócios relacionados a culturas e serviços além das sementes de soja.
A diversificação tem ajudado a reduzir a forte sazonalidade tradicional do negócio.
“É um trimestre com lucro, um lucro pequeno, mas é lucro. Não é tão simples fazer lucro no primeiro e no segundo trimestre na nossa atividade”, afirmou Marino Colpo, CEO e cofundador da Boa Safra.
Apesar da melhora no segundo trimestre, o período mais importante para a companhia ainda está por vir.
A Boa Safra concentra grande parte de seu faturamento no segundo semestre, quando aumenta a entrega de sementes para o plantio da nova safra.
A carteira de pedidos terminou junho em R$ 1,804 bilhão, recorde para a companhia e alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025.
Desse total, R$ 1,467 bilhão correspondia a sementes de soja, queda de 12% na comparação anual.
A redução foi compensada pelo crescimento das demais culturas e serviços.
As receitas provenientes de novas culturas, serviços e insumos cresceram 90% no segundo trimestre, na comparação anual.
A expansão desses negócios começa a reduzir a dependência da empresa em relação às vendas de sementes de soja e contribui para distribuir melhor os resultados ao longo do ano.
Segundo o CFO Felipe Marques, o crescimento das operações alternativas já começa a impactar positivamente tanto a receita quanto o resultado da companhia.
Após um período de expansão acelerada em 2025, a Boa Safra pretende adotar uma estratégia mais seletiva.
Segundo Marino Colpo, a empresa conquistou mais de dois pontos porcentuais de participação no mercado de sementes no ano passado, mas o avanço exigiu maior estrutura comercial, aquisição de clientes e concessão de descontos.
Para 2026, a prioridade passou a ser recuperar margens em vez de buscar crescimento a qualquer custo.
A companhia pretende preservar aproximadamente os 10% de participação conquistados no mercado de sementes de soja e atuar de forma mais seletiva comercialmente.
A Boa Safra também identifica um ambiente de menor oferta no mercado de sementes.
Segundo Colpo, a crise de liquidez levou algumas empresas do setor a reduzir operações, enquanto problemas climáticos diminuíram a disponibilidade de sementes de maior qualidade.
O executivo afirmou ainda que a companhia tem percebido uma redução da concorrência e citou casos de recuperação judicial no segmento.
A evolução operacional também apareceu no fluxo de caixa.
No primeiro semestre de 2026, o fluxo de caixa operacional ficou positivo em R$ 204 milhões, contra consumo de R$ 303 milhões no mesmo período de 2025.
A necessidade de capital de giro caiu de R$ 1,241 bilhão para R$ 769 milhões.
A companhia também reduziu antecipações a fornecedores e passou a negociar prazos mais próximos daqueles concedidos aos clientes.
A dívida líquida consolidada terminou junho em R$ 619,8 milhões, queda de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Enquanto isso, o caixa e as aplicações financeiras cresceram para R$ 1,31 bilhão.
Os números indicam uma melhora relevante na estrutura financeira da companhia, acompanhada pela recuperação das margens e pela expansão dos negócios além das sementes de soja.
Com o segundo semestre concentrando a maior parte das vendas, o desempenho dos próximos trimestres será fundamental para determinar se a recuperação observada no primeiro semestre ganhará força ao longo de 2026.
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