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28/09/2026

Como uma argila pode colocar o Brasil no centro da corrida global por terras raras

Agosto 14, 2026
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Depósitos de argila de adsorção iônica podem dar ao Brasil uma posição estratégica na disputa global por terras raras e reduzir a dependência da China.

O Brasil pode assumir um papel estratégico na corrida global por terras raras, impulsionado por um tipo específico de depósito mineral que pode facilitar a extração e o processamento desses elementos.

A avaliação é de Ryan Castilloux, fundador e diretor-presidente da consultoria canadense Adamas Intelligence, especializada nos mercados de terras raras e ímãs.

Segundo o executivo, o mercado global caminha para uma divisão cada vez mais clara entre uma cadeia produtiva liderada pela China e outra formada pelo restante do mundo, que busca reduzir sua dependência do país asiático.

China ainda domina a cadeia

A China passou décadas desenvolvendo tecnologias de mineração, separação e processamento de terras raras e atualmente ocupa posição dominante na cadeia global.

Esses minerais são utilizados na fabricação de uma ampla variedade de produtos, incluindo smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos de defesa e sistemas de robótica.

A pandemia de Covid-19 expôs a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos e levou diversos países a acelerar investimentos para criar fontes alternativas de minerais críticos.

O movimento ganhou força principalmente nos Estados Unidos e em outras economias ocidentais interessadas em diminuir a dependência de fornecedores chineses.

O diferencial da argila de adsorção iônica

Um dos principais pontos de interesse está nos chamados depósitos de argila de adsorção iônica.

Esse tipo de depósito é considerado estratégico porque pode apresentar uma barreira operacional menor para a extração e o processamento de determinados elementos de terras raras.

Na Ásia, depósitos desse tipo são encontrados principalmente em países como China, Mianmar e Laos.

Fora da Ásia, o Brasil aparece como um dos principais potenciais polos globais desse recurso.

A vantagem é especialmente relevante para as chamadas terras raras pesadas, utilizadas em pequenas quantidades para permitir que determinados ímãs mantenham seu desempenho em condições de alta temperatura.

Brasil pode ganhar relevância

O acesso às terras raras pesadas é considerado um dos principais gargalos para a construção de uma cadeia de fornecimento alternativa à chinesa.

Para Castilloux, o Brasil reúne características que podem permitir uma expansão relativamente rápida do setor.

Projetos de exploração de depósitos de argila de adsorção iônica podem ter horizontes de desenvolvimento de aproximadamente três a quatro anos, segundo a avaliação apresentada pelo executivo.

Os investimentos iniciais, embora elevados, também podem ser inferiores aos necessários para projetos de mineração mais complexos. Atualmente, a exploração de um depósito desse tipo pode exigir investimentos de algumas centenas de milhões de dólares.

Desafio vai além da mineração

Apesar do potencial brasileiro, produzir terras raras em escala comercial é apenas uma etapa da cadeia.

Um dos principais desafios está no processamento dos minerais. Depois que os óxidos são obtidos, é necessário transformá-los nos materiais utilizados na produção de ligas magnéticas e, posteriormente, na fabricação dos ímãs.

Atualmente, a China é o único país que domina de forma integrada toda essa cadeia produtiva.

Por isso, a construção de uma alternativa fora do território chinês dependerá não apenas da abertura de novas minas, mas também do desenvolvimento de instalações de processamento, produção de metais, fabricação de ligas e produção de ímãs.

Corrida global ganha força

O movimento de diversificação das cadeias de suprimentos ganhou força nos últimos anos.

Nos Estados Unidos, o governo vem anunciando investimentos para ampliar a produção doméstica de minerais críticos e reduzir vulnerabilidades estratégicas. Em agosto, o presidente Donald Trump anunciou US$ 2 bilhões em investimentos em novos projetos de terras raras.

A disputa envolve interesses econômicos e estratégicos, já que esses minerais são fundamentais para setores considerados essenciais para a transição energética, tecnologia avançada e defesa.

Brasil pode avançar até 2035

Na avaliação de Castilloux, o Brasil poderia avançar significativamente na cadeia de terras raras ao longo da próxima década, caso consiga combinar políticas públicas, investimentos e um ambiente regulatório adequado.

O objetivo seria passar da simples exploração mineral para o desenvolvimento de capacidade de processamento e, posteriormente, de uma indústria nacional de ímãs.

“Em um horizonte de tempo grande o suficiente, de 10 anos até 2035”, o Brasil poderia desenvolver uma cadeia de valor mais completa, segundo a avaliação do executivo.

O potencial coloca o país em uma posição estratégica em um mercado que tende a ganhar importância à medida que Estados Unidos, Europa e outras economias buscam reduzir a dependência da China.

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