Lideranças afirmam que saúde mental e fertilidade deixaram de ser tabus e passaram a integrar a estratégia de negócios, governança e retenção de talentos nas empresas.
Temas como saúde mental e fertilidade deixaram de ser vistos apenas como questões individuais e passaram a integrar a estratégia de negócios das empresas. A avaliação foi compartilhada por executivas durante um painel realizado na Expert XP 2026, que discutiu como a ascensão de mulheres a cargos de liderança está transformando a governança corporativa e a gestão de pessoas.
Participaram do debate Cris Rego, CEO do Fert Group, Heloísa Rios, conselheira e especialista em estratégia de negócios, e Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude. As executivas defenderam que pautas antes consideradas tabu agora influenciam diretamente a retenção de talentos, a produtividade e a sustentabilidade das organizações.
Segundo Heloísa Rios, a evolução da governança ocorre por diferentes caminhos, seja por mudanças planejadas, exigências regulatórias ou resposta a crises. Para ela, as empresas que incorporam essas transformações de forma estratégica tendem a construir modelos de negócios mais resilientes e competitivos.
A fundadora da Vittude, Tatiana Pimenta, relembrou que a plataforma nasceu em 2016 com o objetivo de ampliar o acesso à psicoterapia online, antecipando uma demanda que ganhou força com o reconhecimento do burnout como condição relacionada ao trabalho.
Ela destacou que a entrada em vigor da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que exige das empresas o mapeamento dos riscos psicossociais no ambiente corporativo, reforçou a importância do tema e acelerou a adoção de programas voltados ao bem-estar emocional dos colaboradores.
De acordo com a executiva, esse movimento impulsionou significativamente o crescimento da empresa entre 2020 e 2022, refletindo uma mudança na forma como o mercado enxerga a saúde mental: não mais como um benefício opcional, mas como um fator estratégico para a gestão de pessoas.
Outro tema em ascensão é a fertilidade. Para Cris Rego, CEO do Fert Group, o acesso a tratamentos de reprodução assistida e ao congelamento de óvulos tornou-se um diferencial competitivo para empresas que buscam atrair e reter profissionais.
Segundo a executiva, mudanças demográficas e sociais, como o aumento da maternidade após os 35 anos e o crescimento de diferentes configurações familiares, ampliaram a demanda por benefícios voltados ao planejamento familiar.
O Fert Group desenvolveu um modelo de benefício corporativo semelhante a um plano de saúde, permitindo que colaboradoras tenham acesso a tratamentos de reprodução assistida com maior privacidade, reduzindo o estigma associado ao tema.
Apesar dos avanços, as participantes apontaram que ainda existem obstáculos para ampliar a presença feminina em posições de liderança, especialmente no mercado de capital de risco.
Tatiana Pimenta relatou que, durante a captação de investimentos para a Vittude, negociou com mais de uma centena de fundos e encontrou baixa representatividade feminina entre os responsáveis pelas decisões de investimento.
Para Heloísa Rios, promover diversidade exige ações intencionais por parte das empresas. A conselheira defendeu que equipes mais diversas contribuem para melhores decisões estratégicas e também para resultados financeiros mais consistentes.
Ao final do painel, as executivas destacaram que o objetivo é tornar desnecessária, no futuro, a distinção entre liderança feminina e masculina. Segundo elas, competência, diversidade e atenção às necessidades das pessoas devem fazer parte da cultura empresarial, consolidando saúde mental e fertilidade como pilares da estratégia corporativa.
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