Fluxo recorde para ETFs de ouro e Bitcoin reflete preocupações com dívida dos EUA, dólar e juros de longo prazo.
Investidores estão reforçando suas posições simultaneamente em ouro e Bitcoin, em um movimento que ganhou força diante das preocupações com o endividamento dos Estados Unidos, o dólar e os juros de longo prazo.
Segundo dados compilados pela Bloomberg, os ETFs que acompanham ouro e Bitcoin receberam cerca de US$ 7 bilhões em apenas cinco pregões, um recorde de captação.
Entre os principais destaques estão o SPDR Gold Shares (GLD), da State Street, que recebeu aproximadamente US$ 3,4 bilhões, e o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, com entrada de cerca de US$ 1,5 bilhão.
O movimento chama atenção porque ouro e Bitcoin passaram recentemente por momentos diferentes como alternativas de proteção.
Agora, os dois ativos voltam a ser procurados simultaneamente como instrumentos associados à escassez e à proteção contra possíveis efeitos de deterioração fiscal e monetária.
O movimento ganhou força após o plano do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, de ampliar as recompras de títulos longos do Tesouro. O anúncio inicialmente provocou queda dos juros e do dólar, enquanto ouro e Bitcoin avançaram.
A estratégia conhecida como “debasement trade” parte da ideia de que o aumento das dívidas públicas e a flexibilização das condições financeiras podem favorecer ativos cuja oferta não pode ser facilmente ampliada pelos governos.
O ouro possui uma oferta física limitada pela capacidade de mineração, enquanto o Bitcoin tem emissão máxima programada de 21 milhões de unidades.
Para Gautam Chhugani, analista do Bernstein, o cenário pode favorecer ativos escassos diante do aumento dos custos de financiamento da dívida soberana.
O movimento também fortalece a narrativa original do Bitcoin como ativo resistente à diluição monetária.
Eric Balchunas, analista de ETFs da Bloomberg Intelligence, avalia que o retorno dessa tese é relevante para o Bitcoin, principalmente porque recoloca no centro do debate sua proposta de ativo escasso e independente da emissão monetária dos governos.
O bilionário Ray Dalio também defendeu recentemente uma maior exposição ao ouro e uma parcela menor ao Bitcoin como forma de proteção contra possíveis riscos relacionados à dívida americana.
Apesar da forte entrada recente, os fluxos acumulados no ano mostram um cenário mais moderado.
O GLD, que possui aproximadamente US$ 155 bilhões sob gestão, registra fluxo líquido negativo de cerca de US$ 2,8 bilhões no ano. Já o IBIT, com cerca de US$ 60 bilhões em patrimônio, acumula aproximadamente US$ 830 milhões em entradas no período.
Para Noelle Acheson, o principal ponto não é apenas o volume captado, mas a aceleração da demanda, que pode indicar uma recomposição de posições por investidores que estavam subalocados nesses ativos.
O ouro acumula alta de aproximadamente 13% no mês e recentemente ultrapassou os US$ 4.600 por onça. O Bitcoin, por sua vez, voltou a superar a marca de US$ 80 mil.
Ainda assim, nem todos os estrategistas acreditam que o movimento será sustentado exclusivamente pelo chamado “debasement trade”.
Hardika Singh, da Fundstrat, avalia que as ações podem representar uma proteção mais confiável do que ouro ou Bitcoin em determinados cenários.
O movimento dos ETFs, porém, mostra que investidores estão buscando alternativas fora dos ativos tradicionais de renda fixa em meio às preocupações com dívida, infl
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