Proposta ganha apoio de parte dos dirigentes do Federal Reserve, mas mudança ainda depende de análise sobre seus impactos na política monetária e na comunicação do banco central.
A proposta do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, de reduzir de oito para seis o número de reuniões anuais para decisão sobre os juros começa a ganhar apoio dentro do banco central americano.
Pelo menos um terço dos dirigentes do Fed sinalizou recentemente que estaria aberto à possibilidade de realizar menos reuniões de política monetária. Apesar disso, ainda não existe uma decisão formal sobre a mudança.
Entre os dirigentes favoráveis a discutir a proposta estão Beth Hammack, do Fed de Cleveland, Jeffrey Schmid, de Kansas City, e Anna Paulson, da Filadélfia.
Na reunião de julho, Warsh sugeriu um calendário com seis reuniões anuais destinadas à definição dos juros, aproximadamente uma a cada dois meses.
As outras duas reuniões poderiam ser utilizadas para discussões mais aprofundadas sobre temas econômicos e de política monetária.
A justificativa é permitir que mais informações econômicas sejam acumuladas entre as reuniões, dando aos dirigentes e à equipe técnica mais tempo para analisar os dados antes de alterar a política monetária.
Atualmente, o Fed realiza oito reuniões por ano, enquanto a legislação americana exige apenas quatro reuniões anuais.
A redução do número de reuniões também poderia alterar a frequência de divulgação das projeções econômicas e dos juros.
Atualmente, o Fed divulga suas principais projeções quatro vezes por ano, nos meses de março, junho, setembro e dezembro.
Uma eventual mudança para seis reuniões levantaria dúvidas sobre quantas vezes essas projeções seriam atualizadas e divulgadas.
O tema está sendo analisado por uma força-tarefa criada por Warsh para revisar a comunicação do banco central.
Outra possível consequência seria diminuir a exposição política do Fed.
Segundo Vincent Reinhart, economista-chefe da BNY Investments e ex-economista do banco central americano, menos reuniões poderiam reduzir a quantidade de eventos de alta visibilidade envolvendo decisões de política monetária.
Isso poderia ajudar a diminuir a pressão de congressistas e da Casa Branca sobre os dirigentes.
A próxima reunião do FOMC está marcada para 15 e 16 de setembro e poderá concentrar as atenções principalmente na inflação e na possibilidade de uma alta dos juros.
A discussão sobre o calendário de reuniões ainda pode aparecer no debate, mas não está claro se haverá uma decisão sobre o tema já nesta reunião.
A proposta representa uma mudança relevante na estrutura do Fed e pode aproximar sua dinâmica da visão defendida por Warsh de um banco central mais seletivo em suas manifestações e decisões.
Para os investidores, uma redução na frequência das reuniões pode aumentar a importância dos indicadores econômicos divulgados entre cada decisão.
Com menos encontros, o Fed poderia sinalizar mudanças de política monetária com menor frequência, fazendo com que inflação, emprego, atividade econômica e expectativas de juros ganhem ainda mais peso na formação dos preços.
Para mercados como dólar, Treasuries, bolsas e commodities, qualquer alteração na estratégia de comunicação do Fed poderá gerar impactos relevantes, especialmente em um momento de incerteza sobre o rumo dos juros americanos.
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