John Ternus assume a liderança da Apple com o desafio de acelerar a estratégia de inteligência artificial e transformar o aguardado iPhone dobrável em um novo motor de crescimento.
A chegada de John Ternus ao comando da Apple coloca a empresa diante de dois grandes testes: avançar na corrida da inteligência artificial e apresentar ao mercado seu aguardado iPhone dobrável.
O novo CEO, que passou cinco anos à frente da engenharia de hardware da companhia, deverá apresentar os novos produtos da Apple em Cupertino, na Califórnia, em um momento considerado importante para determinar os próximos anos da empresa.
A expectativa dos analistas é de que a Apple apresente um iPhone dobrável com formato semelhante ao de um passaporte, entrando em um segmento dominado por Samsung, Google e fabricantes chineses desde 2019.
O aparelho poderá chegar ao mercado com preço superior a US$ 2.500, mas analistas acreditam que a força da marca, o ecossistema da Apple e a percepção de exclusividade podem impulsionar as vendas.
A IDC estima que o novo produto poderia gerar mais de US$ 45 bilhões em receita para a Apple até o final de 2027.
A entrada tardia da Apple no segmento também pode ser uma vantagem. A companhia teve anos para observar os problemas enfrentados pelos concorrentes e trabalhar em pontos como a durabilidade da dobradiça e a redução do vinco na tela.
Mais do que o novo hardware, porém, o grande teste de Ternus será a estratégia de inteligência artificial da Apple.
A companhia ficou atrás de concorrentes como Google e OpenAI na corrida pela IA generativa. Agora, a reformulação da Siri será fundamental para recuperar terreno.
Uma Siri mais avançada poderá permitir que a Apple utilize sua enorme base instalada de dispositivos como principal plataforma para serviços de IA.
O desafio será convencer consumidores e desenvolvedores de que a Apple consegue acompanhar a velocidade de evolução dos concorrentes.
Investidores vêm tolerando o ritmo mais lento da Apple na IA devido à enorme base de usuários e à fidelidade dos consumidores à marca.
Com Ternus, entretanto, a pressão aumenta.
O novo CEO precisará mostrar que a Apple não apenas consegue desenvolver bons dispositivos, mas também pode transformar esses aparelhos em uma plataforma competitiva para a nova geração de serviços baseados em inteligência artificial.
A estratégia de IA também enfrenta obstáculos regulatórios.
Segundo analistas, a nova Siri poderá levar até 2028 para ser aprovada na China e inicialmente não deverá estar disponível na Europa devido a questões regulatórias.
Isso pode limitar o alcance inicial dos novos recursos justamente em mercados importantes para a Apple.
O momento representa uma transição importante para a companhia após a saída de Tim Cook.
O iPhone dobrável poderá abrir uma nova categoria de produtos e gerar bilhões de dólares em receitas, enquanto uma Siri mais competitiva será fundamental para posicionar a Apple na corrida da IA.
Para o mercado, o desempenho desses dois projetos ajudará a responder uma questão central: John Ternus conseguirá manter o ritmo de crescimento construído durante a era Tim Cook ou a Apple terá de acelerar para recuperar o terreno perdido na inteligência artificial?
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