Estudo dos últimos cinco ciclos eleitorais aponta que as surpresas do primeiro turno e a composição do Congresso costumam provocar movimentos mais fortes nos mercados do que o resultado final da eleição.
A aproximação do primeiro turno das eleições de 2026 deve aumentar a volatilidade dos mercados brasileiros. Segundo análise do Bradesco BBI, o principal evento para os investidores pode não ser a definição do vencedor da eleição, mas o resultado do primeiro turno, especialmente quando houver diferenças relevantes em relação às pesquisas.
O banco analisou os cinco últimos ciclos eleitorais, entre 2006 e 2022, e identificou que os movimentos mais expressivos do Ibovespa, dólar e juros ocorreram, em geral, após o primeiro turno.
Para os estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler, o mercado reage principalmente às informações novas reveladas pelas urnas.
O estudo aponta que houve surpresas relevantes entre pesquisas e resultados eleitorais em todos os pleitos analisados desde 2006. Em 2022, por exemplo, o Ibovespa subiu 5,5% após o primeiro turno, registrando sua melhor sessão desde abril de 2020.
Outros movimentos expressivos ocorreram após os primeiros turnos de 2014 e 2018, quando o índice avançou aproximadamente 4,7% e 4,6%, respectivamente.
Na avaliação do BBI, esses movimentos mostram que o mercado tende a antecipar cenários e ajustar rapidamente os preços quando as urnas apresentam um resultado diferente do esperado.
Além da disputa presidencial, a composição do Congresso Nacional aparece como uma das principais variáveis para os investidores.
Isso ocorre porque a força política do governo eleito para aprovar reformas, controlar gastos e implementar medidas econômicas depende diretamente da composição do Legislativo.
Para o BBI, essa variável ainda é pouco precificada pelo mercado, apesar de poder limitar ou ampliar significativamente a capacidade de implementação das políticas econômicas.
O levantamento também mostra que as reações após a definição do presidente tendem a ser menos duradouras.
Em diferentes eleições, movimentos fortes registrados imediatamente após o resultado acabaram perdendo força nos pregões seguintes. O banco identifica um padrão de exagero inicial seguido por acomodação dos preços, geralmente ao longo de aproximadamente cinco sessões.
Por isso, o mercado pode reagir mais intensamente à mudança de expectativas provocada pelo primeiro turno do que à própria confirmação do vencedor no segundo turno.
Entre os principais ativos, o BBI destaca juros futuros e câmbio como os melhores termômetros da percepção do mercado sobre os cenários eleitorais.
Em 2022, o real se valorizou mais de 4% após o primeiro turno, enquanto os juros futuros recuaram de maneira significativa.
Já em 2018, o dólar caiu mais de 10% entre setembro e o segundo turno, enquanto a curva de juros apresentou forte fechamento.
Segundo os estrategistas, a curva de juros é especialmente importante porque incorpora rapidamente as expectativas relacionadas à credibilidade fiscal dos candidatos e possíveis governos.
Na Bolsa, as empresas mais diretamente influenciadas pelo governo tendem a apresentar maior sensibilidade às eleições.
O BBI destaca segmentos como Petrobras, bancos controlados pela União, infraestrutura e utilities.
Em 2018, uma cesta de estatais chegou a acumular valorização entre 30% e 50% durante o período eleitoral, impulsionada principalmente pelas expectativas de privatizações e venda de ativos.
Por outro lado, empresas exportadoras podem funcionar como uma espécie de proteção em períodos de estresse político. Companhias ligadas a mineração, petróleo, celulose e proteínas possuem receitas dolarizadas e podem se beneficiar de uma eventual desvalorização do real.
Apesar da expectativa de maior volatilidade durante o ciclo eleitoral, o Bradesco BBI mantém uma visão positiva para os ativos brasileiros.
O banco considera o Brasil sua principal recomendação na América Latina e destaca que o mercado brasileiro estaria sendo negociado a aproximadamente 8,8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses.
Na renda fixa, o BBI projeta uma taxa de juros de aproximadamente 11% ao final de 2027, abaixo dos cerca de 13,5% implícitos atualmente nos preços de mercado.
A carteira do banco permanece concentrada em três grandes temas: ações beneficiadas pela queda dos juros, empresas ligadas ao mercado de capitais e estatais.
Para o mercado, a principal mensagem do estudo é clara: não basta acompanhar quem está na frente nas pesquisas eleitorais.
O comportamento do Ibovespa, dólar e juros poderá depender principalmente de três fatores:
Com isso, o primeiro turno de 2026 pode representar um dos momentos de maior volatilidade do mercado brasileiro, criando tanto riscos quanto oportunidades para os investidores.
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