O avanço das montadoras chinesas no Brasil vai além das importações. Parcerias, produção nacional e novas tecnologias devem transformar a indústria automotiva nos próximos cinco anos.
O crescimento das montadoras chinesas no Brasil pode transformar profundamente a indústria automotiva nos próximos anos. Mais do que ampliar sua participação nas vendas de veículos, empresas da China vêm consolidando presença em toda a cadeia produtiva, por meio de fábricas, parcerias estratégicas, desenvolvimento tecnológico e investimentos locais.
A avaliação é do especialista J.R. Caporal, CEO da MegaDealer e presidente da Auto Avaliar, que defende que a principal questão para o futuro do setor não será apenas quantos carros chineses serão vendidos, mas quanto da indústria automotiva brasileira terá participação da tecnologia e do capital chinês.
Atualmente, as marcas chinesas representam cerca de 23% dos emplacamentos mensais de automóveis e comerciais leves no Brasil.
A BYD, por exemplo, registrou em julho seu melhor desempenho no país, com 23.465 veículos vendidos, alcançando aproximadamente 9,1% de participação de mercado.
Segundo Caporal, porém, medir essa participação tornou-se cada vez mais complexo.
Isso porque diversas montadoras tradicionais passaram a utilizar plataformas, tecnologias ou fábricas ligadas à indústria chinesa.
A influência chinesa deixou de se limitar à importação de veículos.
Hoje, diversas fabricantes tradicionais já operam em parceria com empresas chinesas:
Esse movimento torna cada vez mais difícil definir o que pode ser considerado efetivamente um \carro chinês\.
As fabricantes chinesas ganharam vantagem em áreas estratégicas da indústria automotiva, como:
Enquanto montadoras tradicionais levam anos para lançar novas gerações de veículos, fabricantes chinesas conseguem atualizar modelos em ciclos significativamente menores.
Ao mesmo tempo, grupos tradicionais ainda mantêm vantagens importantes, como ampla rede de concessionárias, reputação consolidada, assistência técnica e disponibilidade de peças.
Segundo o especialista, o principal desafio das novas marcas será demonstrar capacidade de preservar o valor dos veículos ao longo do tempo.
Questões como disponibilidade de peças, manutenção da rede de concessionárias, diagnóstico das baterias e estabilidade da política de preços deverão influenciar diretamente o valor residual dos automóveis.
Descontos agressivos nos modelos zero-quilômetro também podem acelerar a desvalorização dos usados, afetando concessionárias, bancos, locadoras e empresas de leasing.
Diversas fabricantes chinesas estudam ou já iniciaram operações no Brasil, entre elas:
Para Caporal, nem todas conseguirão se consolidar. As empresas que investirem em produção local, pós-venda eficiente, rede estruturada e disciplina comercial terão maiores chances de sucesso.
Embora uma participação superior a 30% do mercado brasileiro já seja considerada plausível nos próximos anos, o especialista afirma que esse indicador contará apenas parte da história.
A influência da China deverá crescer principalmente por meio das plataformas tecnológicas, baterias, softwares, componentes e alianças industriais com fabricantes tradicionais.
Na avaliação do executivo, a grande pergunta para os próximos anos não será apenas quanto as marcas chinesas venderão no Brasil, mas qual parcela da indústria automotiva nacional terá tecnologia e participação chinesa em sua estrutura.
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