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28/09/2026

Governança se torna essencial para bancos ampliarem uso da inteligência artificial com segurança

Agosto 28, 2026
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Instituições financeiras buscam combinar IA, dados, infraestrutura e cibersegurança para garantir transparência, controle e confiabilidade dos modelos

O avanço da inteligência artificial (IA) no sistema financeiro brasileiro está mudando a prioridade das instituições. O desafio deixou de ser apenas implementar novos modelos e passou a envolver também a criação de mecanismos capazes de garantir segurança, transparência, ética e controle durante todo o ciclo de vida dessas tecnologias.

A discussão ganhou destaque durante a Febraban Tech 2026, um dos principais eventos de tecnologia do setor financeiro. Especialistas defenderam que a expansão da IA precisa ser acompanhada por uma estrutura integrada de infraestrutura de rede, computação em nuvem, dados e cibersegurança.

Para Thais Seppe, gerente de Produtos de IA e Inovação da Claro empresas, implementar uma solução de inteligência artificial não é suficiente para garantir que ela seja confiável.

Segundo a executiva, o desafio atual é estabelecer mecanismos de governança que permitam utilizar a inteligência artificial respeitando limites éticos e garantindo transparência nas decisões.

Governança pode acelerar a inovação

Nas instituições financeiras, a governança começa a ser vista menos como uma barreira burocrática e mais como uma ferramenta para viabilizar novos negócios.

No Banco do Brasil, a orientação é incorporar mecanismos de governança desde o início dos projetos de inteligência artificial, e não apenas depois que uma solução já estiver desenvolvida.

Rafael Rovani, representante do banco, defende que as regras precisam fazer parte da concepção da tecnologia. Dessa maneira, os projetos podem avançar com maior segurança e alinhamento às necessidades da instituição.

A estratégia também envolve acompanhar continuamente o desempenho dos modelos e medir os resultados gerados para o negócio.

Bradesco aposta em monitoramento contínuo

No Bradesco, a governança é tratada como uma estrutura que permite ampliar o uso da inteligência artificial de maneira sustentável.

O banco utiliza frameworks, mecanismos de monitoramento e indicadores para acompanhar projetos de IA desde os primeiros experimentos.

De acordo com Michel Viana, Head de IA do Bradesco, a governança não deve impedir a inovação, mas estabelecer um caminho seguro para que ela possa ser ampliada.

O sistema de acompanhamento inclui registro dos experimentos, avaliação de riscos e geração de indicadores que ajudam a determinar quais cuidados devem ser adotados em cada projeto.

Explicabilidade ganha importância

Com a expansão dos modelos de IA e dos chamados agentes autônomos, cresce também a necessidade de entender como uma determinada decisão foi tomada.

Fabrício Lira, Data & AI Director da IBM, destaca que explicabilidade, descoberta e catalogação são elementos fundamentais para aumentar a confiança nas aplicações de inteligência artificial.

No setor financeiro, onde decisões automatizadas podem afetar crédito, investimentos e atendimento ao cliente, simplesmente saber qual foi o resultado produzido por um algoritmo pode não ser suficiente.

É necessário compreender os fatores que levaram o modelo àquela conclusão e manter registros que permitam rastrear sua utilização.

Orquestração conecta tecnologia e segurança

À medida que os bancos passam a trabalhar com diferentes modelos de IA, agentes e bases de dados, a orquestração do ecossistema tecnológico ganha importância.

A integração permite catalogar ativos, acompanhar modelos, identificar riscos e manter maior controle sobre as decisões automatizadas.

Nesse cenário, infraestrutura, dados, nuvem e segurança digital precisam funcionar de maneira coordenada. A governança passa a atuar como uma camada capaz de conectar essas diferentes áreas.

Fator humano continua fundamental

Mesmo com o avanço da automação, os especialistas ressaltam que a supervisão humana permanece necessária.

A adoção responsável da inteligência artificial exige profissionais capazes de interpretar os resultados, avaliar riscos e intervir quando um modelo apresentar comportamento inadequado.

Para as instituições financeiras, a combinação entre tecnologia, governança e conhecimento humano deve ser determinante para ampliar o uso da IA sem comprometer a segurança e a confiança dos clientes.

Com a rápida evolução dos modelos, bancos e empresas de tecnologia terão de manter estruturas de acompanhamento contínuo. A tendência é que a governança deixe de ser apenas uma exigência de conformidade e passe a ocupar uma posição estratégica na expansão da inteligência artificial no setor financeiro.



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