Nvidia divulga resultados nesta quarta-feira e, após cinco quedas nas últimas seis divulgações, investidores estão mais atentos às projeções e aos investimentos em inteligência artificial do que aos números do trimestre.
A Nvidia divulga nesta quarta-feira (26), após o fechamento do mercado em Nova York, os resultados do trimestre encerrado em julho. Apesar da expectativa de forte crescimento da receita, o mercado está menos interessado nos números passados e mais atento ao que o CEO Jensen Huang dirá sobre o futuro da companhia.
Nos últimos seis balanços, as ações da Nvidia caíram no pregão seguinte em cinco ocasiões. O comportamento chama atenção porque a empresa vem superando as expectativas dos analistas de forma consistente.
Segundo levantamento do JPMorgan, a projeção de receita apresentada pela companhia nos últimos quatro trimestres ficou, em média, 4% acima do esperado pelo mercado.
A Nvidia chega ao balanço em um momento diferente. A companhia anunciou recentemente uma estrutura de até US$ 500 bilhões para financiar a construção de data centers de inteligência artificial, em parceria com instituições de Wall Street.
Além disso, concordou em destinar até US$ 105 bilhões para apoiar um complexo de infraestrutura em Ohio que será alugado pela OpenAI.
Esses movimentos levantaram uma preocupação entre investidores: até que ponto a própria Nvidia está ajudando a financiar a demanda que posteriormente aparece em suas receitas.
O mercado deve pressionar a companhia por detalhes sobre essas parcerias e sobre os riscos de uma possível circularidade no financiamento da expansão da inteligência artificial.
Outro ponto importante é a próxima geração de chips da Nvidia, conhecida como Rubin.
O custo da memória disparou e alguns servidores equipados com chips da empresa já devem ficar mais de 15% caros. Analistas também apontam que a Nvidia reduziu a quantidade de memória prevista para os produtos Rubin, aparentemente devido à escassez de oferta.
Os investidores querem saber quando a nova arquitetura começará a chegar ao mercado em maior escala e qual será seu impacto sobre as receitas.
O Goldman Sachs estima receita de aproximadamente US$ 111 bilhões para o próximo período, enquanto o JPMorgan trabalha com uma projeção de orientação entre US$ 107 bilhões e US$ 108 bilhões.
As duas estimativas estão acima do consenso de mercado, atualmente próximo de US$ 104,5 bilhões.
Isso mostra o tamanho da expectativa em torno da companhia: mesmo resultados acima das projeções podem não ser suficientes para sustentar uma alta das ações caso a perspectiva futura decepcione.
A Nvidia acumula alta de aproximadamente 14% em 2026, abaixo do avanço de 34% registrado no mesmo período do ano anterior.
Após subir 19% entre o fim de julho e meados de agosto, a ação registrou sete sessões consecutivas de queda, sua pior sequência desde 2019.
Mesmo assim, a companhia continua sendo a empresa mais valiosa do mundo, com valor de mercado superior a US$ 5 trilhões.
O mercado de opções, por sua vez, precifica uma oscilação de aproximadamente 5% para qualquer direção após a divulgação do balanço.
O desafio da Nvidia não está apenas em apresentar lucro e receita fortes. A empresa precisa convencer o mercado de que o crescimento da inteligência artificial continua sustentável e que seus investimentos em infraestrutura não estão criando uma dependência excessiva de capital próprio.
Por isso, nesta quarta-feira, as palavras de Jensen Huang podem ser tão importantes quanto os números do balanço.
A empresa precisa entregar resultados fortes, mas, principalmente, mostrar que a próxima etapa de crescimento da IA pode continuar sem comprometer margens, fluxo de caixa e retorno aos acionistas.
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