Descoberta de hidrocarbonetos no Amapá abre nova fronteira exploratória para a Petrobras, mas bancos destacam que produção comercial ainda pode levar vários anos.
A Petrobras deu mais um passo na exploração da Margem Equatorial brasileira após identificar hidrocarbonetos em um poço exploratório no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá. O anúncio, feito na sexta-feira (14), foi considerado relevante por analistas por representar um avanço em uma possível nova fronteira de produção de petróleo no país.
O Bradesco BBI avalia que a região pode complementar a produção do pré-sal e ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual queda da produção brasileira de petróleo a partir de 2035.
Apesar do potencial, os analistas destacam que a identificação de hidrocarbonetos é apenas uma etapa inicial. Ainda são necessárias avaliações para determinar o tamanho da descoberta, a qualidade do reservatório e, principalmente, se a área apresenta viabilidade econômica para produção.
Segundo o BBI, os próximos anos deverão envolver a conclusão do poço, análises laboratoriais, estudos petrofísicos, licenciamento ambiental, perfuração de poços de avaliação, testes de formação e delimitação dos recursos.
Em um cenário positivo, a declaração de comercialidade poderia ocorrer entre 2029 e 2031. Depois disso, seriam necessários o desenvolvimento do projeto, engenharia, decisão final de investimento, contratação de plataforma FPSO, sistemas submarinos e poços de produção.
Com esse cronograma, o primeiro óleo poderia ocorrer entre 2032 e 2036, de acordo com a estimativa do banco.
A XP Investimentos avalia que a descoberta faz parte dos esforços da Petrobras para sustentar sua produção de petróleo no longo prazo.
O plano de negócios da companhia prevê aproximadamente US$ 2,5 bilhões em investimentos, equivalentes a cerca de R$ 13 bilhões pelo câmbio utilizado na análise, para a Margem Equatorial.
A Petrobras também planeja perfurar 15 poços exploratórios na região.
O Itaú BBA também considera a identificação de hidrocarbonetos um avanço importante, mas ressalta que ainda não é possível determinar a dimensão da descoberta ou sua importância para a tese de investimento da companhia.
O banco cita o desenvolvimento do campo de Búzios como referência para mostrar o tempo necessário entre uma descoberta e o início da produção.
No caso de Búzios, foram aproximadamente três anos entre a descoberta inicial e a declaração de comercialidade, seguidos por cerca de cinco anos até o início da produção na plataforma Búzios-1, a P-74.
A comparação reforça que uma eventual descoberta relevante na Margem Equatorial ainda precisará passar por diversas etapas antes de gerar produção e receita para a Petrobras.
A Margem Equatorial se estende pela costa Norte e Nordeste do Brasil e reúne as bacias sedimentares da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas e Potiguar.
O interesse pela região aumentou após descobertas bem-sucedidas em áreas consideradas geologicamente semelhantes na costa da Guiana e do Suriname.
Segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Bacia da Foz do Amazonas pode conter aproximadamente 5,7 bilhões de barris de petróleo recuperáveis.
Caso esse potencial seja confirmado, o impacto sobre as reservas brasileiras e sobre a Petrobras poderá ser relevante. Em um exercício citado pelo Itaú BBA, a adição de aproximadamente 6 bilhões de barris equivalentes de petróleo às reservas da companhia poderia reduzir seu múltiplo de valor da empresa sobre reservas de US$ 12,70 para US$ 8,50 por barril equivalente.
Por enquanto, porém, o mercado trata a descoberta como um avanço exploratório inicial, e não como uma nova produção já garantida. A confirmação do volume recuperável, a viabilidade econômica e o licenciamento serão determinantes para definir o real impacto da Margem Equatorial sobre a Petrobras.
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