Sabesp deve apresentar resultados mais pressionados no curto prazo, mas investimentos elevados, crescimento operacional e potencial de dividendos mantêm SBSP3 entre as ações favoritas do setor.
A Sabesp (SBSP3) deve apresentar números mais pressionados no segundo trimestre de 2026, mas o cenário de curto prazo não foi suficiente para mudar a visão positiva dos analistas sobre a companhia.
O Bradesco BBI manteve a recomendação de compra para as ações e elevou o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 34 para R$ 41, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 54% em relação ao preço considerado na análise.
A companhia divulga seus resultados do segundo trimestre nesta quarta-feira (12), após o fechamento da Bolsa.
Para o segundo trimestre, o BBI estima que a Sabesp registre receita líquida de R$ 6,04 bilhões, alta de 7,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do crescimento da receita, os demais indicadores devem apresentar desempenho mais fraco.
O EBITDA ajustado é projetado em aproximadamente R$ 3,46 bilhões, queda de 4,4% na comparação anual. Já o lucro líquido deve ficar em R$ 1,36 bilhão, recuo de 36,4%.
A pressão deve vir principalmente do aumento das despesas operacionais, incluindo gastos com serviços e provisões para devedores duvidosos. O volume faturado de água e esgoto também deve apresentar queda estimada de 1% no trimestre.
Embora o aumento das despesas pese sobre os resultados de 2026, os analistas avaliam que parte desse movimento está relacionada à estratégia da empresa após a privatização.
A Sabesp vem acelerando investimentos destinados à melhoria da qualidade dos serviços e à satisfação dos clientes. Na avaliação do BBI, esse aumento de custos tende a ser temporário e pode perder intensidade a partir de 2027.
Ao mesmo tempo, a instituição financeira elevou sua projeção de investimentos da companhia.
O Capex estimado passou de aproximadamente R$ 70 bilhões para R$ 97 bilhões, enquanto o BBI trabalha agora com uma faixa entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões até o final do ciclo de universalização.
A expectativa é que esses investimentos ampliem a Base de Ativos Regulatórios (RAB), considerada uma das principais fontes de geração de retornos futuros para a companhia.
Apesar da pressão inicial, o cenário projetado para os próximos anos é significativamente mais positivo.
Segundo o BBI, a Sabesp poderá apresentar crescimento médio anual de aproximadamente 16% no EBITDA entre 2026 e 2030, considerando apenas os ativos atualmente concedidos.
O avanço estaria relacionado ao aumento da eficiência operacional, aos investimentos em infraestrutura e ao cumprimento das metas de universalização dos serviços de saneamento.
Outro fator importante para a tese de investimento é o potencial de crescimento dos dividendos.
O BBI estima que a Sabesp consiga manter sua estrutura de endividamento sob controle mesmo durante o ciclo de investimentos.
A projeção é de uma relação entre dívida líquida e EBITDA de 2,9 vezes em 2026, recuando para 2,6 vezes em 2027.
Com uma estrutura financeira mais equilibrada, os analistas avaliam que o payout da companhia poderia chegar a 75% em 2027, acima dos 50% previstos atualmente no estatuto social.
Nesse cenário, o dividend yield poderia alcançar aproximadamente 7,1%, contra uma estimativa-base de 4,8%.
Mesmo após a forte valorização das ações desde a privatização, o BBI considera que a Sabesp ainda apresenta desconto em relação a outras empresas do setor.
A análise aponta uma taxa interna de retorno real de aproximadamente 13%, equivalente a um prêmio de 5,1 pontos percentuais sobre os títulos NTN-B de 10 anos.
A companhia também negocia, segundo os cálculos do banco, a cerca de 1 vez EV/RAB para 2027, 7,2 vezes EV/EBITDA e 9,8 vezes o lucro estimado.
Para os analistas, os múltiplos permanecem atrativos quando comparados aos de empresas de saneamento dos Estados Unidos e da Europa.
A visão positiva não é exclusiva do BBI. O Safra também colocou recentemente Sabesp e Copasa (CSMG3) entre suas principais apostas no setor de saneamento para 2026.
A tese está baseada principalmente no potencial de expansão dos resultados, na previsibilidade regulatória e nos investimentos necessários para cumprir as metas estabelecidas pelo marco legal do saneamento.
Assim, embora o balanço do segundo trimestre possa apresentar números mais fracos, os analistas avaliam que o mercado deve olhar além da pressão temporária sobre os resultados.
Para o BBI, a combinação entre crescimento, geração de caixa, investimentos e potencial de dividendos mantém a Sabesp entre os casos mais atrativos da Bolsa brasileira.
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