Companhia elevará em US$ 20 por tonelada o preço da celulose de fibra curta na Ásia a partir de setembro, sinalizando melhora nas condições do mercado
As ações da Suzano (SUZB3) operavam em alta nesta sexta-feira (28), após a companhia anunciar um aumento de US$ 20 por tonelada nos preços da celulose de fibra curta para clientes na Ásia a partir de setembro.
Com o reajuste, o preço de tabela do produto deverá alcançar US$ 580 por tonelada.
O movimento foi considerado uma surpresa positiva pelo Bradesco BBI, que reiterou sua recomendação de Compra para os papéis da Suzano e manteve o preço-alvo em R$ 73.
Por volta das 10h08, as ações da companhia avançavam 0,47%, cotadas a R$ 46,62.
O aumento anunciado pela Suzano acontece depois de um período de pressão sobre os preços da celulose no mercado chinês.
Nos últimos meses, os preços praticados na China caíram de aproximadamente US$ 600 para US$ 560 por tonelada, em meio à aplicação de descontos.
Para o BBI, o novo reajuste indica uma possível mudança no cenário e reduz o risco de novas quedas dos preços da commodity.
O banco também avalia que o aumento tem boas chances de ser implementado com sucesso, diante de sinais recentes de recuperação das compras chinesas.
Entre os fatores positivos apontados pelo BBI está a redução dos estoques de celulose.
Segundo os analistas, os estoques estão atualmente equivalentes a cerca de dois meses de consumo, abaixo do nível considerado normalizado, de aproximadamente três meses.
Outro ponto favorável é a sazonalidade do quarto trimestre. As fabricantes de papel começaram a retomar níveis mais normais de atividade em agosto, o que pode contribuir para aumentar a demanda pela matéria-prima.
O cenário de oferta é outro fator considerado positivo pelos analistas.
O adiamento do início da operação da OKI II para o começo de 2027 reduz a possibilidade de uma expansão significativa da oferta de celulose no curto prazo.
Além disso, os custos também apresentam sinais de suporte. Os preços de cavacos de madeira importados do Vietnã estão acima de US$ 200 por tonelada de madeira seca, o que ajuda a sustentar a estrutura de custos do setor.
As verificações realizadas pelo BBI junto ao mercado apontam para a possibilidade de novos reajustes nos próximos meses.
O banco estima que os preços possam subir mais US$ 20 por tonelada em outubro e outros US$ 20 em novembro, caso o movimento atual seja mantido.
Se esse cenário se confirmar, o preço da celulose poderá retornar ao patamar de US$ 600 por tonelada.
Apesar de reconhecer que os fundamentos estruturais do mercado de celulose ainda apresentam desafios, o Bradesco BBI considera que o cenário de curto prazo para a Suzano melhorou.
A combinação entre recuperação das compras chinesas, estoques reduzidos, menor pressão de oferta e aumento dos preços pode favorecer os resultados da companhia.
Diante desse cenário, o banco reiterou a recomendação de Compra para SUZB3, com preço-alvo de R$ 73, sinalizando potencial de valorização em relação ao nível atual das ações.
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