O Itaú BBA reforçou sua recomendação para ações da América Latina, destacando o Brasil como principal aposta entre os mercados emergentes. Segundo o banco, valuations atrativos, crescimento dos lucros e baixa exposição ao setor de tecnologia tornam a região uma alternativa ao atual rali impulsionado pela inteligência artificial.
A América Latina vem ganhando espaço no radar dos investidores globais como uma alternativa ao forte movimento de concentração em ações ligadas à inteligência artificial (IA). Em relatório para o segundo semestre de 2026, o Itaú BBA reforçou sua recomendação de overweight (exposição acima da média) para a região, destacando o Brasil como sua principal aposta entre os mercados emergentes.
Segundo o banco, a combinação de valuations descontados, crescimento consistente dos lucros e menor dependência das empresas de tecnologia cria um ambiente favorável para investidores que buscam diversificação diante da elevada concentração do mercado global em ações de IA.
De acordo com o Itaú BBA, sua carteira recomendada para a América Latina apresenta potencial de retorno total de aproximadamente 30%, considerando a valorização das ações e o pagamento de dividendos.
O principal argumento é que os ativos latino-americanos continuam negociando a múltiplos inferiores aos observados em outros mercados. Atualmente, a região é negociada a cerca de 9,7 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, aproximadamente 12% abaixo de sua média histórica, indicando espaço para reprecificação.
Na avaliação dos estrategistas, um dos maiores diferenciais da América Latina é justamente sua reduzida exposição ao setor de tecnologia.
Enquanto empresas de tecnologia representam cerca de 41,7% do índice de mercados emergentes (MSCI Emerging Markets), sua participação no índice latino-americano é praticamente inexistente. Essa característica reduz a correlação da região com mercados como Coreia do Sul e Taiwan, que lideraram os ganhos impulsionados pela inteligência artificial.
Desde o pico recente do rali de IA, em junho, a América Latina superou o desempenho do índice MSCI de mercados emergentes em cerca de 15 pontos percentuais, movimento liderado principalmente pelo mercado brasileiro.
Além disso, a correlação entre o ETF brasileiro EWZ e o MSCI Emerging Markets caiu para 0,57, enquanto Coreia do Sul e Taiwan registram correlação próxima de 0,90, reforçando o papel da região como instrumento de diversificação.
A visão otimista sobre a América Latina também é compartilhada pelo JPMorgan.
O banco destaca que a recente correção dos mercados emergentes atingiu principalmente empresas de tecnologia na Ásia, enquanto o Brasil apresentou desempenho mais resiliente. Desde o início desse movimento, a bolsa brasileira acumula valorização próxima de 4% em dólares, contrastando com as quedas observadas em mercados como Coreia do Sul e Taiwan.
O JPMorgan mantém recomendação overweight para ações de mercados emergentes e continua posicionando o Brasil entre seus mercados preferidos, ao lado de China, Coreia do Sul, Taiwan e África do Sul.
Dentro da estratégia para a América Latina, o Itaú BBA mantém o Brasil como seu principal mercado recomendado.
Segundo o banco, a bolsa brasileira negocia a aproximadamente 8,4 vezes o lucro projetado, um dos menores múltiplos entre os principais mercados emergentes.
Na revisão da carteira para o segundo semestre, os estrategistas reduziram parcialmente a exposição a empresas domésticas mais sensíveis ao ciclo econômico e ampliaram o peso de companhias exportadoras, infraestrutura, utilities e empresas de energia.
Também seguem entre as preferidas instituições financeiras de alta qualidade e empresas com geração consistente de caixa e crescimento sustentável.
Entre as principais recomendações do Itaú BBA para a região estão diversas companhias brasileiras.
Os destaques incluem BTG Pactual (BPAC11), Equatorial (EQTL3), Axia Energia (AXIA3), Petrobras (PETR4) e Embraer (EMBJ3).
Na avaliação do banco, a Embraer ainda apresenta valuation atrativo aliado ao crescimento dos resultados, enquanto a Petrobras continua oferecendo forte geração de caixa e elevado retorno aos acionistas por meio de dividendos.
Apesar da perspectiva positiva para a região, o Itaú BBA ressalta que o cenário macroeconômico continua exigindo cautela.
Entre os principais riscos estão uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos, fortalecimento do dólar, pressões inflacionárias relacionadas ao fenômeno El Niño e incertezas fiscais e políticas nos países latino-americanos.
Para o Brasil, o banco projeta crescimento do PIB de 2,1% em 2026, inflação de 5,4% e uma Selic terminal de 14%, com espaço para cortes mais relevantes apenas em 2027.
Mesmo diante desses desafios, o Itaú BBA acredita que a combinação de preços atrativos, crescimento dos lucros, elevada rentabilidade das empresas e menor exposição ao tema da inteligência artificial torna a América Latina uma das regiões mais interessantes para investidores globais no atual ciclo de mercado.
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