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28/09/2026

América Latina ganha força como alternativa ao trade de IA, com Brasil entre os destaques

Julho 30, 2026
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O Itaú BBA reforçou sua recomendação para ações da América Latina, destacando o Brasil como principal aposta entre os mercados emergentes. Segundo o banco, valuations atrativos, crescimento dos lucros e baixa exposição ao setor de tecnologia tornam a região uma alternativa ao atual rali impulsionado pela inteligência artificial.

A América Latina vem ganhando espaço no radar dos investidores globais como uma alternativa ao forte movimento de concentração em ações ligadas à inteligência artificial (IA). Em relatório para o segundo semestre de 2026, o Itaú BBA reforçou sua recomendação de overweight (exposição acima da média) para a região, destacando o Brasil como sua principal aposta entre os mercados emergentes.

Segundo o banco, a combinação de valuations descontados, crescimento consistente dos lucros e menor dependência das empresas de tecnologia cria um ambiente favorável para investidores que buscam diversificação diante da elevada concentração do mercado global em ações de IA.

Carteira tem potencial de retorno de 30%

De acordo com o Itaú BBA, sua carteira recomendada para a América Latina apresenta potencial de retorno total de aproximadamente 30%, considerando a valorização das ações e o pagamento de dividendos.

O principal argumento é que os ativos latino-americanos continuam negociando a múltiplos inferiores aos observados em outros mercados. Atualmente, a região é negociada a cerca de 9,7 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, aproximadamente 12% abaixo de sua média histórica, indicando espaço para reprecificação.

Baixa exposição à tecnologia favorece diversificação

Na avaliação dos estrategistas, um dos maiores diferenciais da América Latina é justamente sua reduzida exposição ao setor de tecnologia.

Enquanto empresas de tecnologia representam cerca de 41,7% do índice de mercados emergentes (MSCI Emerging Markets), sua participação no índice latino-americano é praticamente inexistente. Essa característica reduz a correlação da região com mercados como Coreia do Sul e Taiwan, que lideraram os ganhos impulsionados pela inteligência artificial.

Desde o pico recente do rali de IA, em junho, a América Latina superou o desempenho do índice MSCI de mercados emergentes em cerca de 15 pontos percentuais, movimento liderado principalmente pelo mercado brasileiro.

Além disso, a correlação entre o ETF brasileiro EWZ e o MSCI Emerging Markets caiu para 0,57, enquanto Coreia do Sul e Taiwan registram correlação próxima de 0,90, reforçando o papel da região como instrumento de diversificação.

JPMorgan também mantém visão positiva

A visão otimista sobre a América Latina também é compartilhada pelo JPMorgan.

O banco destaca que a recente correção dos mercados emergentes atingiu principalmente empresas de tecnologia na Ásia, enquanto o Brasil apresentou desempenho mais resiliente. Desde o início desse movimento, a bolsa brasileira acumula valorização próxima de 4% em dólares, contrastando com as quedas observadas em mercados como Coreia do Sul e Taiwan.

O JPMorgan mantém recomendação overweight para ações de mercados emergentes e continua posicionando o Brasil entre seus mercados preferidos, ao lado de China, Coreia do Sul, Taiwan e África do Sul.

Brasil permanece como principal aposta

Dentro da estratégia para a América Latina, o Itaú BBA mantém o Brasil como seu principal mercado recomendado.

Segundo o banco, a bolsa brasileira negocia a aproximadamente 8,4 vezes o lucro projetado, um dos menores múltiplos entre os principais mercados emergentes.

Na revisão da carteira para o segundo semestre, os estrategistas reduziram parcialmente a exposição a empresas domésticas mais sensíveis ao ciclo econômico e ampliaram o peso de companhias exportadoras, infraestrutura, utilities e empresas de energia.

Também seguem entre as preferidas instituições financeiras de alta qualidade e empresas com geração consistente de caixa e crescimento sustentável.

Ações brasileiras lideram recomendações

Entre as principais recomendações do Itaú BBA para a região estão diversas companhias brasileiras.

Os destaques incluem BTG Pactual (BPAC11), Equatorial (EQTL3), Axia Energia (AXIA3), Petrobras (PETR4) e Embraer (EMBJ3).

Na avaliação do banco, a Embraer ainda apresenta valuation atrativo aliado ao crescimento dos resultados, enquanto a Petrobras continua oferecendo forte geração de caixa e elevado retorno aos acionistas por meio de dividendos.

Cenário exige atenção aos riscos

Apesar da perspectiva positiva para a região, o Itaú BBA ressalta que o cenário macroeconômico continua exigindo cautela.

Entre os principais riscos estão uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos, fortalecimento do dólar, pressões inflacionárias relacionadas ao fenômeno El Niño e incertezas fiscais e políticas nos países latino-americanos.

Para o Brasil, o banco projeta crescimento do PIB de 2,1% em 2026, inflação de 5,4% e uma Selic terminal de 14%, com espaço para cortes mais relevantes apenas em 2027.

Mesmo diante desses desafios, o Itaú BBA acredita que a combinação de preços atrativos, crescimento dos lucros, elevada rentabilidade das empresas e menor exposição ao tema da inteligência artificial torna a América Latina uma das regiões mais interessantes para investidores globais no atual ciclo de mercado.

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