André Moraes e Alexandre Stormer avaliam que a Bolsa brasileira iniciou uma nova fase de valorização estrutural. Segundo os especialistas, a combinação de fluxo estrangeiro, preços descontados e fundamentos favoráveis pode impulsionar um novo ciclo de alta para o mercado acionário.
A Bolsa brasileira pode estar entrando em um novo ciclo de valorização de longo prazo. Essa é a avaliação dos traders André Moraes e Alexandre Wolwacz, o Stormer, que defendem que o mercado já vive a chamada \terceira onda\, um movimento marcado pela volta do capital estrangeiro, valuations atrativos e melhora das condições macroeconômicas.
Em entrevista durante a Expert XP 2026, os especialistas afirmaram que o cenário atual reúne características semelhantes às observadas antes dos grandes ciclos de alta registrados nas últimas décadas.
Para Stormer, um dos principais sinais da nova fase é o retorno consistente dos investidores estrangeiros ao mercado brasileiro.
Segundo ele, esse movimento ganhou força no início de 2025, justamente quando o Ibovespa voltou a romper máximas históricas, indicando que o fluxo internacional pode sustentar uma tendência mais duradoura.
Outro fator destacado pelo trader é a baixa participação do investidor pessoa física, que ainda demonstra cautela com a renda variável.
Na visão dele, essa combinação costuma ocorrer em momentos próximos aos fundos do mercado, quando os ativos permanecem negociados a preços atrativos.
Além do fluxo de capital, os especialistas destacam que as ações brasileiras continuam negociadas a múltiplos considerados baixos, tanto em relação ao histórico quanto em comparação com outros mercados.
Para André Moraes, o cenário atual lembra os grandes ciclos iniciados em 2002 e 2016, períodos que resultaram em expressivas valorizações do Ibovespa.
O analista ressalta, porém, que essas referências servem como comparação histórica, e não como projeção de desempenho.
Segundo ele, o diferencial do momento atual é o alinhamento entre os fundamentos econômicos e os sinais gráficos observados pelo mercado.
Stormer avalia que o mercado oferece uma das melhores relações entre risco e retorno dos últimos anos.
Na sua visão, investidores que conseguem identificar o início de uma tendência estrutural têm potencial para capturar grande parte da valorização antes que o movimento se torne consenso.
O trader afirma que oportunidades desse tipo costumam surgir poucas vezes por década e exigem disciplina para aproveitar períodos em que o sentimento do mercado ainda é predominantemente pessimista.
Para André Moraes, um novo ciclo de alta exige mudanças na forma de operar.
Segundo ele, os últimos anos foram marcados por operações curtas e movimentos laterais, favorecendo estratégias de curto prazo.
Agora, caso a tendência de valorização se confirme, investidores precisarão ampliar o horizonte das operações e aceitar oscilações naturais do mercado sem abandonar posições prematuramente.
Moraes relembrou que, durante o primeiro grande ciclo de alta da Bolsa, saiu cedo de diversas operações e deixou de capturar boa parte da valorização.
Apesar do otimismo, os especialistas reconhecem que o cenário depende da evolução do ambiente econômico global.
Stormer acredita que riscos geopolíticos internacionais representam a principal ameaça ao fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil.
Já Moraes aponta a inflação como o maior fator de preocupação. Segundo ele, uma forte alta dos preços do petróleo poderia reacender pressões inflacionárias, obrigando bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo e reduzindo o apetite por ativos de risco.
Os dois especialistas afirmam que pretendem compartilhar a experiência adquirida nos ciclos anteriores para ajudar investidores a identificar oportunidades caso a chamada terceira onda realmente se consolide.
Para Moraes, mais do que buscar ganhos pessoais, o momento representa uma oportunidade de transmitir conhecimento e preparar o maior número possível de investidores para um eventual novo ciclo de valorização da Bolsa brasileira.
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