Bank of America mantém recomendação de compra para Itaú e Bradesco, enquanto Banco do Brasil recebe recomendação equivalente à venda em meio a preocupações com qualidade dos ativos e cenário político.
O Bank of America (BofA) mantém uma visão seletiva sobre os bancos brasileiros e aponta Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) entre suas principais escolhas no setor. Já o Banco do Brasil (BBAS3) permanece com recomendação equivalente à venda.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (21), o banco americano destacou que os múltiplos das instituições financeiras brasileiras continuam atrativos, mas avaliou que diferenças de rentabilidade e riscos específicos tornam a seleção dos papéis relevante para os investidores. InfoMoney
O Itaú aparece como a principal escolha do BofA entre os bancos brasileiros acompanhados pela instituição.
O banco mantém recomendação de compra para ITUB4 e preço-alvo de R$ 51. O BofA estima retorno sobre patrimônio (ROE) de 25% para 2027 e potencial de retorno total de 27%, considerando dividendos.
Segundo a análise, o desempenho é sustentado pela rentabilidade elevada, balanço considerado robusto e histórico de execução operacional em diferentes cenários econômicos. InfoMoney
O Bradesco aparece como a segunda preferência do BofA entre os bancos brasileiros.
Para BBDC4, a instituição mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 23. O banco projeta crescimento do lucro de 9% em 2027 e 15% em 2028, enquanto o ROE estimado passa de 16% para 17% no período.
O BofA calcula potencial de retorno total de 36% para o Bradesco, considerando também os dividendos, e avalia que a recuperação dos resultados pode continuar. InfoMoney
Para o Banco do Brasil, o BofA mantém recomendação equivalente à venda e preço-alvo de R$ 20.
Entre os pontos destacados estão preocupações com a qualidade dos ativos, a recuperação da carteira de crédito do agronegócio e a visibilidade sobre os efeitos das medidas de renegociação de dívidas.
O relatório também menciona riscos relacionados à atuação governamental e ao ambiente político durante o ano eleitoral. InfoMoney
O BofA avalia que o início do ciclo de redução da Selic pode melhorar gradualmente o ambiente para os bancos brasileiros, embora os efeitos mais relevantes sejam esperados principalmente em 2027 e 2028.
A instituição projeta Selic em 12,8% ao final de 2027 e espera crescimento de lucro do setor em ritmo de um dígito alto no próximo ano.
A avaliação ocorre após o Copom reduzir a Selic para 13,75% em setembro, no quinto corte consecutivo da taxa básica de juros. Reuters
Apesar das diferenças entre as instituições, o BofA destaca que os bancos brasileiros continuam negociando abaixo de seus pares andinos.
O setor apresenta múltiplo médio de aproximadamente 7,5 vezes o lucro projetado para 2027, contra cerca de 10 vezes nos bancos andinos. O dividend yield médio também aparece próximo de 7%.
Entre os fatores que podem influenciar o desempenho do setor estão a trajetória da Selic, a atividade econômica, a qualidade das carteiras de crédito, a inadimplência e as expectativas fiscais. InfoMoney
Para os próximos meses, o mercado deve acompanhar principalmente a evolução dos juros, a concessão de crédito, a inadimplência e os resultados trimestrais dos bancos.
O cenário eleitoral também permanece entre os fatores de atenção apontados pelo BofA, especialmente por seus possíveis efeitos sobre as expectativas fiscais e, consequentemente, sobre a trajetória dos juros
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