Goldman Sachs projeta forte expansão da produção venezuelana até 2030, enquanto novos acordos com empresas internacionais ampliam as oportunidades no setor de petróleo e gás.
A indústria de petróleo da Venezuela pode entrar em uma nova fase de expansão, segundo projeções do Goldman Sachs. O movimento já começa a despertar o interesse de empresas internacionais e também pode abrir oportunidades para companhias brasileiras.
Nesta segunda-feira (21), a Halliburton anunciou memorandos de entendimento com a brasileira Eneva (ENEV3) e com a WESCA para avaliar oportunidades de desenvolvimento no setor de petróleo e gás da Venezuela. Pelo acordo, Halliburton e Eneva irão trabalhar conjuntamente na identificação e desenvolvimento de possíveis negócios no país. Halliburton
Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o Goldman Sachs avalia que os novos acordos firmados por empresas internacionais podem impulsionar a produção venezuelana de hidrocarbonetos nos próximos anos.
A instituição projeta que a produção de petróleo do país alcance aproximadamente 1,9 milhão de barris por dia em 2030, representando um aumento de cerca de 945 mil barris diários em relação aos níveis de 2025.
Para 2035, a projeção chega a aproximadamente 2,3 milhões de barris por dia, com possibilidade de expansão adicional caso novos operadores entrem no mercado.
Entre as empresas que podem participar dessa expansão estão Chevron e ENI.
A Chevron planeja elevar sua produção na Venezuela para aproximadamente 600 mil barris por dia até 2031, ante cerca de 280 mil barris atualmente, segundo as estimativas apresentadas na análise.
A ENI também aparece entre as empresas que podem ampliar sua participação no país, incluindo atividades na Faixa do Orinoco.
Repsol, Shell e BP também são citadas em projetos relacionados à expansão da produção de petróleo e gás.
O acordo anunciado entre Halliburton e Eneva amplia a exposição de uma companhia brasileira às oportunidades no mercado venezuelano.
O memorando prevê que as duas empresas trabalhem na identificação e busca de oportunidades de desenvolvimento no país. O anúncio, porém, não detalha quais projetos serão avaliados nem estabelece investimentos ou valores específicos. Halliburton
O Bradesco BBI avalia que o interesse da Eneva evidencia a atratividade crescente da Venezuela para investimentos no setor energético. O banco também aponta que a Petrobras (PETR3; PETR4) poderia avaliar oportunidades no país.
A Petrobras aparece no radar por sua experiência em exploração e produção de petróleo e gás em diferentes regiões.
A eventual entrada da estatal em projetos venezuelanos dependeria, entretanto, das condições econômicas, regulatórias e contratuais oferecidas no país.
Neste momento, o que existe publicamente é a avaliação de analistas sobre possíveis oportunidades, e não um anúncio de participação da Petrobras em novos projetos venezuelanos.
O movimento não se limita ao petróleo.
O Goldman Sachs também identifica potencial de expansão da produção de gás natural, com projetos como Dragon, associado à Shell, e Loran, desenvolvido pela BP e parceiros.
Além disso, os projetos Perla, operados por ENI e Repsol, podem representar uma fonte adicional de crescimento caso avancem planos de exportação de gás natural liquefeito.
Outro fator citado na análise é a alteração do ambiente regulatório venezuelano.
Segundo o Goldman Sachs, a nova legislação de hidrocarbonetos teria reduzido os custos econômicos de determinados projetos. A instituição estima um preço de equilíbrio próximo de US$ 58 por barril para projetos de petróleo e de aproximadamente US$ 3,80 por milhão de pés cúbicos para o gás natural.
Esses números são estimativas do banco e podem variar conforme os projetos, condições operacionais e preços das commodities.
A eventual retomada dos investimentos venezuelanos pode alcançar fornecedores de equipamentos utilizados na exploração e produção.
O Goldman Sachs estima que a demanda por tubos OCTG, utilizados na perfuração de poços, poderia atingir entre 140 mil e 240 mil toneladas por ano até 2030, criando um mercado potencial estimado entre US$ 600 milhões e US$ 1 bilhão anuais.
Nesse segmento, fabricantes como Tenaris e Vallourec são citados como potenciais fornecedores para projetos de exploração, especialmente diante das características do petróleo pesado da Faixa do Orinoco.
A expansão venezuelana ainda depende da concretização dos projetos, dos investimentos necessários, das condições regulatórias e da entrada efetiva de novos operadores.
Para o mercado brasileiro, os principais nomes associados ao movimento são a Eneva, por meio do acordo anunciado com a Halliburton, e a Petrobras, que aparece nas avaliações de analistas como uma possível participante em oportunidades futuras.
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